Agenda Cultural 29 – Retrospectiva de Cinema

banner29a Agenda Cultural 29   Retrospectiva de CinemaEstamos de volta após um longo inverno. Flávio Vieira (@flaviopvieira), Levi Pedroso (@levipedroso), Mario Abbade (@fanaticc) e Felipe Morcelli (@multiversodc) retornam com tudo para comentar os principais lançamentos que rolaram no cinema durante nossa ausência. Mutantes, piratas, soldados bombados, travestis e muito mais você irá encontrar nessa edição. Continuar lendo

[Crítica] Lanterna Verde

Green Lantern [Crítica] Lanterna VerdeDois meses de atraso para estrear e uma avalanche de críticas negativas acabam com qualquer hype que um filme poderia ter. E com o produto final revelando-se, de fato, ruim, chega a ser melancólico comentar a estréia de Lanterna Verde, que finalmente chegou ao Brasil no dia 19 de agosto, ficando na, hã… lanterna dentre os filmes de super-herói que saíram em 2011. Tanto na ordem de lançamento quanto na qualidade. Continuar lendo

[Crítica] Corações Perdidos

cora%C3%A7%C3%B5es perdidos [Crítica] Corações PerdidosApós um longo atraso, finalmente chega ao Brasil Corações Perdidos (Welcome to the Rileys), um drama estrelado por James Gandolfini, Melissa Leo e Kristen Stewart, que interpretam três personagens que se unem em busca de uma razão para viver, e não apenas uma existência sem motivação alguma. Continuar lendo

[Review] Left 4 Dead 2

left 4 dead2 [Review] Left 4 Dead 2Os zumbis estão presentes na cultura e no folclore há bastante tempo. Milhares de filmes, games, HQs e até músicas usaram essas criaturas como tema. A Valve, produtora de jogos antológicos como Half Life, Portal e Team Fortress, abraçou os zumbis e lançou Left 4 Dead, em novembro de 2008. O sucesso foi absurdo, e, um ano depois, saiu o segundo jogo da franquia. Continuar lendo

[Crítica] Sangue Negro

sangue negro [Crítica] Sangue NegroSangue Negro é mais uma obra-prima concebida pelo cineasta Paul Thomas Anderson. Em doze anos ele só fez quatro longas (Jogada de Risco, Boogie Nights, Magnólia e Embriagado de Amor), mas todos possuem uma enorme representatividade para a sétima arte. Anderson realiza um cinema de autor contemporâneo no mesmo nível de outros mestres, como Orson Welles, John Houston e Stanley Kubrick. O filme concorre a 8 Oscar e mesmo se for derrotado, já faz parte da história do cinema pelos seus enquadramentos suntuosos, planos memoráveis e um profundo desenvolvimento de roteiro e personagem.

A história pode ser encarada como uma sombria fábula norte-americana sobre a relação do petróleo com a sociedade estadudinense. Ao mesmo tempo flerta com algumas características do western, como o desbravamento de territórios virgens em busca de riquezas. Independente da combinação de gêneros, o filme é um retrato denso sobre um homem implacavelmente ambicioso conquistando tudo para terminar com nada, tendo a indústria do petróleo como cenário. Impossível não traçar um paralelo com a situação política atual nos Estados Unidos. O roteiro escrito por Anderson é baseado no livro Oil, de Upton Sinclair, publicado em 1927. Ele tomou várias liberdades e mudou diversas passagens do livro. Um exemplo foi a mudança do protagonista, que deixou de ser o filho para se tornar o pai.

Na trama, acompanhamos a vida de Daniel Plainview (Daniel Day Lewis) por 3 décadas. Em 1898, ele esta a procura de ouro em um poço em sua propriedade no Texas. Ele encontra o metal amarelo junto com petróleo. Anos depois ele mudou seu objetivo unicamente para o ouro negro, tendo contratado homens para ajudá-lo. Um acidente resulta na morte de um de seus empregados. Daniel acaba herdando um órfão que ele assume como filho e lhe dá o nome de H.W. Em 1912, Daniel já é um homem reconhecido pelo seu pequeno império de poços de petróleo. Ele é procurado por jovem chamado Paul Sunday (Paul Dano) que lhe negocia por dinheiro uma informação sobre um território rico em Petróleo na Califórnia. Acompanhado de seu filho (Dillon Freasier) e seu sócio Fletcher (Ciarán Hinds), ele viaja até o local. Ao chegar lá, descobre uma região riquíssima de petróleo. Ele compra todas as terras com exceção de uma. Além de pagar os proprietários, Daniel precisa negociar com o crente Eli Sunday (Paul Dano), irmão de Paul.

Uma série de conflitos irá marcar a relação entre o pastor e Daniel. Percebem-se também as similaridades entre os dois, até porque religião e capitalismo sempre andaram lado a lado. Anderson demonstra que crença e dinheiro se equivalem, quando comandados por homens sem escrúpulo impregnados por cobiça. O título original (There will be blood) sugere uma parábola bíblica do Velho Testamento, em que o egoísmo e a ambição sem limites será a causa de sua destruição. Interessante que mesmo não sendo um homem de fé, a forma que Daniel explica sobre suas intenções para os proprietários de terra, remete a figura de Moisés garantindo para os judeus que os levará para Terra Prometida.

Através do confronto entre Daniel e Eli, o espectador é brindado por uma das interpretações mais arrebatadoras dos últimos anos. Paul Dano sai-se bem, mas é impossível desgrudar os olhos de Daniel Day Lewis (que já venceu o Globo de Ouro). O personagem interpretado por ele é uma combinação de paradoxos. Características como grosseria, carisma, teimosia, paciência, violência e suavidade, entre outras, surgem muitas vezes em uma mesma cena. Esse jogo de contradições o torna um personagem praticamente real. A atuação fantástica de Day Lewis corrobora esse desfile de emoções e sentimentos. Seu desempenho hipnotiza pela maneira que cada gesto e nuance foi executada. A transformação do personagem vai acontecendo a cada nova passagem até atingir a loucura. Lembra Dobbs, personagem interpretado de maneira irretocável por Humphrey Bogart em “O Tesouro de Sierra Madre”, de John Houston. A performance de Day Lewis é com certeza uma das melhores em anos. Não deveria nem haver disputa pelo Oscar.

Esse desempenho impecável de Lewis ganha a companhia de um impressionante virtuosismo técnico de Anderson. O cineasta trabalha diversas seqüências de maneira épica. No inicio o impacto reside em uma série de tomadas cuidadosamente programadas para criar uma atmosfera decrépita. Anderson optou em não usar diálogos ou trilha. O silencio é a ferramenta empregada. O ritmo dessas imagens são obtidos através do posicionamento da câmera. A cada nova passagem de tempo, Anderson propõe novas perspectivas do ponto de vista imagético. Todo esse maneirismo visual apoiado pela fotografia deslumbrante de Robert Elswit, que contrasta vastas paisagens com close-ups. A trilha sonora composta por Jonny Greenwood, guitarrista do grupo Radiohead, também encanta pela maneira que o músico uniu instrumentos de corda com percussão.

Além de todo esse apuro técnico, Anderson cria mais um elemento psicológico repleto de camadas de significação, que visa provocar outros debates e reflexões sobre as motivações dos personagens. A princípio, Paul e Eli Sunday são irmãos gêmeos, mas talvez não sejam, pois isso nunca é mencionado durante a projeção. Um outro fator é que nunca aparecem juntos. Isso pode significar uma dupla personalidade doentia em que Paul/Eli são a mesma pessoa. Um pequeno recurso dramático, quase imperceptível, mas extremamente genial.

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NOTA
Curso de Crítica Cinematográfica c/ Mario Abbade
Dias 15, 16, 17 e 18 de agosto, das 19 às 21 horas no Telezoom, Rio de Janeiro.

Endereço: Rua Mario de Andrade 48, Largo dos Leões – Humaitá. Tel: 3497-7629. Valor: R$ 220,00

[Crítica] Capitão América – O Primeiro Vingador

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Cansado de tantos filmes de super-heróis? Azar o seu, pois essa onda está longe de acabar. E nesse ano recheado, acaba de estrear mais um: Capitão América – O Primeiro Vingador chegou às telas brasileiras no dia 29 de julho. Mais uma produção da Marvel Studios, e o último passo antes do evento mais importante da História da humanidade, ou seja, o filme dos Vingadores.

Em 1943, conhecemos o jovem nova-iorquino Steve Rogers. Franzino e doente, porém cheio de determinação, ele tenta (e falha) várias vezes entrar para o exército e lutar na Segunda Guerra Mundial, movido por uma convicção inabalável de que violência e bullying devem ser combatidos em todas as suas formas. Sua chance aparece quando ele chama a atenção do Dr. Abraham Erskine, responsável por um projeto científico visando à criação de supersoldados. Combinando um soro especial com a radiação dos raios Vita, Steve ganha força, agilidade e resistência além dos limites humanos.

Infelizmente, o Dr. Erskine é assassinado por um espião nazista, e o projeto de criar mais supersoldados morre com ele. O Governo decide então que o melhor uso para Steve é… vesti-lo com uma fantasia nas cores da bandeira americana e coloca-lo em espetáculos teatrais promovendo campanhas de recrutamento e a venda de ações de guerra. Somente quando vai à Europa para levantar o moral dos soldados, é que nosso herói tem chance de entrar em ação para salvar seu amigo de infância, o agora sargento James “Bucky” Barnes. Após provar seu valor, o Capitão América passa a combater a Hidra, uma facção nazista rebelde liderada pelo terrível Caveira Vermelha, cobaia de uma versão preliminar e imperfeita do soro de Erskine.

Não era das mais fáceis a tarefa de adaptar para o cinema um personagem tão identificado com os EUA, visto que hoje há no mundo um certo sentimento anti-norte-americano. Pra piorar, o Capitão normalmente é visto com um americanóide patriótico clichê por aqueles que não conhecem suas histórias. O resultado ficou à altura do desafio. Houve um cuidado muito grande em estabelecer Steve Rogers como alguém essencialmente bom, justo, corajoso, e por que não, humanista. Exaltando essas qualidades universais ao invés de um patriotismo tipicamente americano, ficou possível para o público internacional gostar do personagem. Resta a questão da ingenuidade desses valores, mas outro acerto do filme é se passar na Segunda Guerra, época em que tais características ainda faziam sentido.

Capitao America 13Jul2011 13 [Crítica] Capitão América – O Primeiro VingadorComo nos demais filmes da Marvel, temos uma história de origem, simples e bem contada. A direção ficou a cargo de Joe Johnston (de O Lobisomem), que entregou um filme passado na guerra, mas com um espírito mais aventuresco, Sessão da Tarde mesmo. Claro que há o interesse comercial em não fazer nada sombrio demais, então os vilões não são os nazistas (não há uma suástica sequer no filme) e sim a Hidra, uma subdivisão. O que vemos é uma guerra paralela. Incomoda? Sim, mas nada que chegue a comprometer. Assim como os saltos que a trama dá, para abranger um período de tempo de alguns anos, apelando pros tradicionais clipes mostrando o que aconteceu naquele período. A ligeira falta de coesão e o gostinho de quero mais são os principais pontos negativos do filme, que impedem ele chegar ao nível foda, épico, etc.

Dentre as atuações, competência é a palavra-chave. A começar pelo criticadíssimo protagonista, Chris Evans, também conhecido como Tocha Humana, aqui em versão ultra bombada. Ele queima a língua dos incrédulos ao fazer um Steve Rogers bem convincente, sem nenhum resquício daquele ar irônico e babaca que o consagrou. Hugo Weaving trabalha no automático para fazer o vilão, o que no caso dele já é grande coisa. Infelizmente o roteiro não o ajudou muito, pois o Caveira teve pouco espaço pra desenvolvimento e profundidade, ficando um tanto genérico. O inevitável interesse romântico é a agente Peggy Carter, vivida com muito carisma e um sotaque britânico sensacional por Hayley Atwell. Sebastian Stan aparece pouco como Bucky, ficando mais como uma possibilidade para eventuais seqüências (Soldado Invernal, cof cof). Dominic Cooper interpreta Howard Stark, pai daquele mesmo que você está pensando, num papel até maior do que o esperado. Completando, temos os coadjuvantes de luxo Tommy Lee Jones (General Phillips), pra variar fazendo o estilo rabugento e engraçado, e o sempre ótimo Stanley Tucci como o Dr. Erskine.

E no mais, filme da Marvel tem que ter o que? Isso mesmo, easter eggs. E dessa vez eles estão particularmente discretos, coisas que só fanboys hardcore vão pegar: a aparição de um herói antigo da editora, uma referência ao Dr. Zola dos quadrinhos, Bucky pegando o escudo, e a óbvia aparição de Stan Lee. Tão óbvia quanto, há uma cena pós-créditos que na verdade é um teaser de Os Vingadores. Capitão América, Homem de Ferro, Thor, Hulk, Gavião Arqueiro e Viúva Negra estarão todos juntos em 2012, e se você não se empolga alucinadamente com isso, só posso lamentar pela sua alma…

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