20 Filmes Essenciais de 2011 (Parte Dois)

Já estava mais do que na hora de concluir minha lista de destaques do cinema em 2011, mais um pouco e estamos no segundo semestre de 2012 e não terminei o que comecei. Pois bem, como dito anteriormente na parte um, a ideia aqui não é eleger os melhores filmes, não tenho essa pretensão, além do que não vi nem 1/4 do que saiu no ano passado. No entanto, acredito que listas acabam despertando a curiosidade de muita gente, por mais superficial que seja (espero que não seja o caso).

Relembrando que deixei de lado alguns blockbusters que já haviam sido comentados na lista de melhores do Jackson, além disso, opitei por comentar apenas dos filmes lançados em 2011 nos seus países de origem e não no Brasil, do contrário muitos filmes da parte um e dessa parte dois não estariam aqui. Mas vamos aos filmes em questão.

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Amor À Toda Prova – Ouça nosso podcast sobre o filme
Pô, Flávio, Comédia Romântica em uma lista de filmes essenciais?
Sim. Amor à Toda Prova deixa claro que uma comédia romântica não precisa ser boba, recheada de clichês e retratar uma realidade que não existe (?). Não que o caso aqui seja de uma obra prima ou algo próxima de uma desconstrução do gênero em si. Está longe disso. No entanto, o longa foge do lugar comum, apresentando personagens cativantes, roteiro bem escrito e como todas as comédias deveriam ser, é extremamente divertido.

O Garoto da Bicicleta – Ouça nosso podcast sobre o filme
Os irmãos belgas, Jean-Pierre e Luc Dardenne, como de costume, retomam seu olhar crítico para a sociedade em seu novo filme. O Garoto da Bicicleta traz uma narrativa clássica retratando a vida de um garoto que é abandonado pelo pai e agora se vê revoltado com todos a sua volta, não dando chances de aproximação de quem quer que seja.

Os Dardenne entregam um conto de fadas moderno com moral e tudo. Tudo que é mostrado aqui tem consequência. Destaque para a interpretação de Thomas Doret, protagonista do longa, que é adoravelmente insuportável, um personagem que parece nunca baixar a guarda, mas que quando menos se espera age como um garoto de sua idade. No final das contas percebemos como o amor é inspirador nas nossas vidas.

Os Muppets – Ouça nosso podcast sobre o filme
Anos se passaram desde os tempos em que os Muppets tinham um forte apelo frente ao grande público. Os personagens de Jim Henson cairam no esquecimento, apesar de muitos filmes da franquia ter saído (o último para o cinema foi em 1999) ao longo dos tempos. 2011 chegou e os Muppets mostraram que é possível criar algo nostálgico e divertido, que agrade os fãs antigos e agregue uma nova legião de adoradores desses simpáticos fantoches. Os Muppets são a prova de que humor pode ser singelo e atemporal.

Drive – Leia a crítica completa aqui
Nicolas Winding Refn é um cara de talento, filmou a trilogia Pusher (quem não conhece vá atrás), em 2008 apresentou Tom Hardy ao mundo com a selvageria de Bronson, e 2009 dirigiu O Guerreiro Silencioso, um excelente filme mas que infelizmente não teve seus méritos reconhecidos (leia a crítica aqui). Em 2011 Refn retorna com Drive com Ryan Gosling no papel principal, um personagem sem nome (referência ao mestre Sergio Leone) que divide seu tempo entre sua carreira como dublê e piloto de fuga de criminosos.

Não vá pensando que você vai ver um novo Velozes e Furiosos, aqui a narrativa é construída passo a passo, mostrando a violência natural dentro de cada um e as relações humanas decorrentes dessas ações, as perseguições de carro são o que menos interessa.

Agentes do Destino – Ouça nosso podcast sobre o filme
Os Agentes do Destino, de George Nolfi, não é um grande filme, mas como a intenção desse post não é apontar os melhores de 2011, achei interessante colocá-lo nessa lista. O longa que tem no elenco Matt Damon e Emily Blunt nos papéis principais é uma adaptação do conto de ficção científica de Phillip K. Dick. Agentes do Destino tem uma premissa interessante, partindo da ideia que durante séculos a humanidade foi assistida por um grupo de agentes que tomam conta do destino de cada pessoa na Terra. Nada é obra do acaso, seja um ônibus perdido ou mesmo um café derrubado em sua camisa, tudo é previamente planejado.

A trama scifi já é interessante por si só, mas além disso o roteiro do filme é uma grande janela de como encaramos nossas vidas, as diversas alternativas que a vida nos propõe a todo minuto e não nos damos conta. Vale um olhar mais atento para o filme, apesar de destoar muito do conto do K. Dick, ainda assim é um ótimo filme.

Melancolia – Ouça nosso podcast sobre o filme
Lars Von Trier é persona non grata por onde vai. No entanto, questionar sua qualidade como diretor é complicado. Dono de uma filmografia repleta de altos, Lars Von Trier apresentou um filme impecável em 2011, Melancolia, que infelizmente não teve muita repercussão devido à um comentário tirado de contexto do diretor sobre o Nazismo. Melancolia conta a história de duas irmãs em meio à ameaça de colisão do Planeta Melancolia com a Terra. Em meio a catástrofe, ambas irmãs buscam resolver seus conflitos internos e entender as escolhas de cada uma.

Melancolia é um filme catástrofe da maneira do diretor, não é algo que pretende fazer uma análise sobre o fim do mundo, mas sim sobre o estado mental dessas irmãs.

Complexo – Universo Paralelo
Mário e Pedro Patrocínio, dois irmãos portugueses passaram três anos de suas vidas filmando um dos maiores complexos de favelas do Brasil, o Alemão. O documentário “Complexo: Universo Paralelo” veio propor uma nova ótica do cotidiano das favelas, se distanciando de outros veículos midiáticos, e buscando um olhar esperançoso sobre as batalhas desse povo.

Os irmãos portugueses utilizam uma narrativa onde observamos a “rotina” da favela sob o ponto de vista de alguns personagens. Suas agruras, crenças, ideais e motivações estão presentes em diversas tonalidades. Desde a recicladores, Mc’s e como não poderia deixar de ser, traficantes. Merece uma atenção especial.

Ataque ao Prédio
Ataque ao Prédio é um daqueles filmes que se tornou conhecido pelo boca-a-boca, já que não teve nem sinal do longa nos cinemas aqui no Brasil. O estreante Joe Cornish, dirige (e roteiriza) um filme de baixo orçamento mas com uma narrativa e roteiro que passam longe das convenções sociais do cinema norte-americano.

Cornish traz um misto de terror scifi com drama, repleto de humor britânico ambientado na periferia londrina. Se você gostou de ‘Todo Mundo Quase Morto’, pode assistir sem medo que você vai se amarrar.

Um Novo Despertar – Ouça nosso podcast sobre o filme
Muito foi falado sobre ‘Um Novo Despertar’ em um de nossos podcasts. Uma pena esse filme ter sido completamente esquecido. Jodie Foster mostrou ser uma mulher forte escalando Mel Gibson como protagonista de seu novo filme. Gibson, famoso por sua postura antissemita e machista entrega um personagem sensível e sem pudores de mostrar para o mundo o quão baixo sua vida foi. Seu personagem é depressivo, empresário frustrado, pai e marido ausente que encontra na figura de um castor fantoche sua segunda chance.

Um Novo Despertar entrega uma atuação fantástica e repleta de sensibilidade de Mel Gibson. Uma pena que poucos deixem de lado sua vida pessoal para se importar com seu trabalho no cinema. Ainda bem que a Jodie Foster foi uma delas.

Bullhead
Bullhead foi um dos indicados a Melhor Filme Estrangeiro no Oscar, ainda assim passou batido pela maioria. O longa belga traz um dos personagens mais interessantes do ano, Jackie Vanmarsenille. Interpretado por Matthias Schoenaerts, o protagonista do filme é um personagem atormentado por traumas do passado.

Apesar de parecer um filme comum sobre máfia, pouco a pouco percebemos que o filme vai muito além disso, focando na história de um personagem angustiado. A fotografia tem um clima bucólico que encaixa perfeitamente na proposta do filme e o desenrolar de sua história é digno de uma tragédia grega.