Carrie Fisher (1956 – 2016): vida longa à princesa

Ao grande público, Carrie Fisher sempre foi uma atriz de um único personagem. Uma afirmativa que a própria intérprete, honesta em sua trajetória, reconheceu anos depois. Se, assim como outros atores da trilogia clássica, houve momentos de amor e ódio em relação ao seu papel como princesa Leia, nada retirou a robustez de sua atuação.

Leia era uma princesa por título, mas distante daquela do imaginário popular. Não era frágil, nem precisava de resgate como a maioria delas nos clássicos contos de fadas. Envolvia-se diretamente com a ação, era irônica, geniosa e foram estes fatores que a transformaram em ícone admirado por fãs como um bom personagem. Para as mulheres, era um novo símbolo de representação. Em época em que as mulheres ainda tinham um papel figurativo em histórias de ação, Fisher estava em equilíbrio com o elenco masculino. Para os homens, foi uma das paixões platônicas da adolescência. Um misto de admiração pela força interna além de uma beleza inevitável, destacada pela discutida cena do biquíni em Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi, considerado hoje uma cena fetichista e desnecessária.

Enquanto Leia como personagem sempre permaneceu no topo, tornando-se maior do que sua interprete, Fisher sofreu por diversos anos devido ao abuso de cocaína e analgésicos, além do diagnóstico de um transtorno bipolar. Porém, foi capaz de rir da própria destruição, fez shows de humor narrando sua trajetória de superação, bem como viveu a mencionada fase de amor e ódio com sua grande personagem, assim como Mark Hammill. Nenhuma crítica forte o suficiente para destruir sua imagem diante do público que a amava em Star Wars.

A Princesa Leia se tornou Carrie Fisher, assim como Carrie Fisher é a Princesa Leia. A morte da atriz encerra a dinastia de um grande personagem amado do público. Uma figura que a despedida não será capaz de subtrair, mantendo-a no imaginário da cultura como um  forte personagem.

Fisher derrotou na vida diversos ataques de seu Império Galáctico pessoal, nunca feneceu. Mas mesmo os membros mais graduados da Aliança Rebelde precisam descansar. Carrie Fisher sai de cena em paz com sua grande personagem e em sintonia com seu público-fiel. A princesa está morta. Longa vida a princesa!

(Carrie Fisher lançou este ano biografia Memórias da Princesa – Os Diários de Carrie Fisher)