Os Filmes (e OVAs) de Dragon Ball

Tal qual aconteceu na fase Z, Dragon Ball também teve uma série de filmes, OVAs e especiais para TV, cada um deles contando uma história nova, que poderia ou não se encaixar dentro da cronologia e mitologia do seriado animado baseado no mangá. Alguns desses filmes foram exibidos no cinema, alguns até no Brasil, em certos casos com uma participação pequena de seu criador — Akira Toriyama —, normalmente fazendo apenas os designs de novos personagens, com seu estilo característico.

Filmes Oficiais

A Lenda de Shenlong (ou Dragon Ball e os Rubis de Sangue)

Batizado como Dragon Ball: Shenron no Densetsu, no Japão, e exibido no final de 1986, o longa realizado por Daisuke Nishio e escrito por Toshiki Inoue, é baseado no mangá original de Toriyama e conta uma versão alternativa da primeira busca das Esferas do Dragão por Goku e seus amigos. A introdução é violenta, mostra os soldados do rei Gurumes (ou Gourmet em algumas versões traduzidas), um sujeito enorme, que tem muita fome e precisa desejar mais comida a Shenlong a fim de saciar sua fome que parece inesgotável.

O design dos cenários é muito bonito, em especial nas partes inéditas. A busca da garotinha Pansy, uma menina ruiva, é por Mestre Kame, considerado o homem mais forte do mundo, a fim de que ele defenda sua aldeia do tirano rei, que busca os rubis da cidade/aldeia para comprar mais e mais comida. O caminho de Pansy e dos aventureiros se cruzam e eles vão atrás do mestre.

O filme é conciso, reúne os bons elementos do início do anime, como a fobia que Yamcha tem por garotas, é engraçado e tem lutas emocionantes, claro, levando em conta que nenhum dos personagens é assustadoramente forte. A forma como os heróis encontram para vencer o Rei Gurumes é bastante curiosa.

A Bela Adormecida do Castelo Amaldiçoado

De nome original Majin-jō no Nemuri Hime, de 1987, mostra Goku depois de receber uma missão de Mestre Kame, para ir a oeste, atrás do castelo amaldiçoado onde fica uma menina misteriosa. Aqui, se reconta a apresentação de Kuririn junto ao protagonista, e mais uma vez se apela para a tara de Kame.

Não demora até Bulma, Yamcha e os outros aparecerem, e ao se dirigirem ao castelo dos monstros, Bulma se enfia em uma ilusão, em que é servida por um homem belo e com aparência de mordomo, chamado Lúcifer. O roteiro de Keiji Terui brinca com os mitos cristãos e a direção – novamente de Nishio – pontua bem essas piadas. No entanto, as batalhas desse são menos atraentes que as do filme anterior, em compensação o humor é muito maior.

Os heróis são presos, e o modo com o roteiro encontra de faze-los se livrar dos grilhões é através da lua cheia e da transformação de Goku no macaco gigante Ozaru. Os opositores sacrificariam Bulma, a fim de tentar trazer a bela adormecida, além de tentar apagar o sol, em mais uma tentativa megalomaníaca, mas são facilmente vencidos pela forma monstruosa símia de Goku. No final, ainda há uma troca de Goku e Kuririn, entregando Launch (ou Lunch em algumas traduções) a moça com dupla personalidade

A Aventura Mística

Exibido em 1988, Makafushigi Dai-bōken era seu nome original. Kazuhisa Takenouchi conduz o roteiro de Yoshifumi Yuki, e se tem uma versão alternativa de Mifan, onde Kuririn e Goku treinarão para além das capacidades que Kame os ensinou. Já no início é mostrado um conluio entre Tao Paipai, seu irmão Mestre Tsuru, os discípulos desse segundo Tenshinhan e Chaos, além de Pilaf e seus capangas, que são descartados em nome dos outros malfeitores.

Há eventos da segunda saga, Red Ribbon, mas também dos arcos com Piccolo, mostrando desde os eventos que envolvem a aldeia perto da torre Karin, os conflitos com algumas das autoridades da Red Ribbon, com capangas como Sargento Metálico, General Blue e outros. O filme tem pouco mais de quarenta minutos, e mostra uma configuração bem diferente da hierarquia dos bandidos. Chaos aqui é o imperador, e pede para que Tenshin o chame pelo nome, sem os tratamentos reais, para que se estabeleça uma intimidade maior entre eles. Obviamente ele é ludibriado, para que os lutadores se lancem na direção das esferas do dragão.

O motim é interrompido, mas o resumo das fases dois e três do anime é muito apressado, fazendo com que esses não seja tão fácil de entender, soando confuso para quem não acompanhou o seriado até ali. Ainda assim, o final edificante e a versão alternativa dos fatos é bem diferente do usual, fato que causa uma nostalgia diferenciada no espectador.

Especial de 10 Anos – A Caminho do Poder

Essa é uma versão remasterizada, usando boa parte do visual que Dragon Ball GT já utilizava, para recontar o começo da jornada ao oeste, mostrando Goku ainda novo, como nos primeiros momentos de Dragon Ball – O Arco de Goku. O especial tem uma hora e dezenove, e é dirigido por Shigeyasu Yamauchi, responsável pela direção de  alguns filmes de Cavaleiros do Zodiaco, além de ter feito episódios da saga de Hades.

Foi lançado em 1996 e mostra Bulma encontrando o menino que tem um estranho rabo. Em pouco tempo ele encontra Oolong, Yamcha e até a força Red Ribbon. Alem de relembrar os momentos canônicos do primeiro anime, há uma quantidade de lutas bem bonitas graficamente, além de ligeiras mudanças narrativas, que visam tornar o especial em algo mais fluido.

O final dele também é diferente, no sentido do primeiro desejo das dragon balls, e faz muito mais sentido do que o alivio cômico do pedido do tarado Oolong. O especial fecha bem sua historia alternativa, com a musica de abertura excelente que tocava em Dragon Ball GT, e serve muito a quem tem saudades das primeiros aventuras do rapaz com rabo de macaco.

Especiais Para a TV

Regras de Trânsito e O Corpo de Bombeiros de Goku.

Primeiro especial para TV do seriado, esse é um curta tão obscuro que nem chegou a ser dublado aqui no Brasil. Ainda criança, Goku parte a cidade do oeste, para entender como funciona o sistema de trânsito, em uma aventura educativa, que se torna ainda mais bizarra já que Goku no começo da aventura achava que os automóveis eram monstros gigantes. Foi exibido em 1988, possui 15 minutos e mostra não só Goku, como Kame, Yamcha, Pual, Oolong, Bulma, Kuririn. Há até uma mudança da letra do anime para se adequar a essas regras.

O Corpo de Bombeiros de Goku é bem semelhante, foi exibido em 1988 e mostra Goku em uma praça qualquer, apagando o fogo que duas crianças acidentalmente fazem em uma lixeira no parquinho. Logo depois, Yamcha, Kuririn, Mr ROshi e o próprio Goku passam a salvarr a cidade do oeste, entre as vitimas, inclusive Bulma, em um esforço propagandista, claramente, dos bombeiros japoneses. Ambos episódios são muito curtos – esse tem pouco mais de dez minutos – srvem para valorizar os esforços das autoridades, mas soam mais infantis que o seriado e seus filmes.

Live Actions Não Oficiais

Muita gente reclama ( coberta de razão, aliás) da versão americana em carne e osso do manga de Toriyama. Dragon Ball Evolution é frustrante em muitos sentidos, mas duas outras produções foram feitas, nenhuma delas realmente de forma oficial e ambas com algo em comum entre elas.

Dragon Ball: O Início da Magia

Versão não oficial, ou seja sem os direitos dos personagens, essa é uma peça de cinema, chamada originalmente de Xin Qi Long Zhu. Ele é uma produção de Taiwan, e de certa forma, conta a mesma historia de Dragon Ball e os Rubis de Sangue. Um rei malvado invade um reino, atrás das perolas mágicas, que se juntadas, confeririam poderes de desejos a ele.

Há alguma controvérsia sobre quem seria esse vilão. Em boa parte das traduções, diz-se que é Pilaf, em outros, que é o rei Gurumes. Fato é que os personagens tem seus nomes trocados, obviamente para não gerar problemas aos realizadores com direitos autorais. Do lado da justiça, há um homem mais velho e seu neto, claramente o velho Gohan e Goku, e essa é uma das únicas produções em que o avô do herói está vivo.

O longa é absolutamente trash, o orçamento baixo se percebe nos jacarés falsos, nas roupas dos heróis e nas fantasias dos monstros que lutam com eles, além é claro dos equipamentos da Corporação Capsula, como o Radar do Dragão, que mais parece um assessório da velha imitação dos GIjoe, os Sos Comandos. Mesmo com a dificuldade econômica, essa é uma versão bastante fiel ao mangá e anime, em especial por tentar manter o clima de humor que Toriyama pensou para a obra.

Há uma luta entre os paralelos de Goku e Yamcha em um ambiente que parece demais o cenário inicial de Mortal Kombat a Aniquilação, há inclusive cenas idênticas, com os mesmos ângulos, o que faz perguntar se John R. Leonetti não as referenciou, uma vez que O Inicio da Magia é de 1991 e a continuação de Mortal Konbat é de 1997.

O dragão eterno aparece como uma animação tosca, dourada, que corre a tela e mal consegue interagir com os personagens, e o fim é abrupto. Essa é certamente a mais acertada versão protagonizada por atores baseada na mitologia que Toriyama fez ficar famosa.

Dragon Ball SSwora Son-O-Gong Ygyeora Son-o-Gong

Filme sul coreano de 1990, mostra Goku realmente criança, fazendo malabares como no início de sua jornada. O jeito que eles encontraram de reproduzir o visual do herói foi implastar o cabelo do ator Seong-tae Heo de gel, e ainda assim não conseguiram deixar ele suspense como era no mangá.

Goku encontra Bulma, que dirige um Uno Mille vermelho. Visualmente consegue ser até mais fiel que O Inicio da Magia. Depois de serem atacados por um monstro que se movimenta como os capangas de Rita Repulsa em Power Rangers. Depois, Bulma dá um banho em Goku, com uma tanguinha tapando suas vergonhas. O humor funciona pouco aqui e é engraçado ver a abordagem que o diretor Ryong Wang colocou em seu longa.

A personificação de Oolong é feito através de máscaras fantasias parecida com a que a Carreta Furacão utiliza em suas performances, e Pual é feito com um bichinho de pelúcia bem parecido com o original. A nuvem voadora é  um algodão gigante supertop e as lutas fazem lembrar muito os tokusatsus mais chechelentos do mundo, fazendo lembrar demais Os Jovens Tatuados de Beverly Hills.

Da parte do humor há um pouco de exagero, como Oolong aliviando o ventre diante da câmera e da tartaruga mordendo o membro do Mestre Kame. O longa adapta boa parte da saga que envolve Pilaf, e traz Yamcha, Chichi, Rei Cutelo alem dos personagens já citados. Ele é bem menos divertido que a versão do Taiwan.

Os opositores por sua vez são bem diferentes. O que deveria ser o Pilaf por exemplo é só um sujeito de orelhas grandes, e há menção até a vinda de um sayajin a Terra, pulando e muito a cronologia da animação. O filme termina com uma animação tosquíssima, de Shenlong com contornos verdes

[Bônus Track]

Super K: O Super-Herói do Espaço

Super Kid é uma animação sul coreana em forma de anime, que lembra muito o início das aventuras de Goku e seus amigos, em especial nos arquétipos dos personagens principais. Gokdari é um menino extra-terrestre que faz parte de uma força tarefa que vem para salvar o mundo. Ele é acompanhado de um personagem gordo e careca, um homem esverdeado de aspecto demoníaco e um velho sábio segurando um cajado. Alem deles, há uma repórter em busca de um furo de reportagem, ao entrevistar o grupo Super Kid. Claramente essa são inspirados em Goku como o principal personagem, alem de Kuririn, Piccolo (ou Tamborim, seu assecla em DB clássico), Kame e claro Bulma, a questão é que as semelhanças param nos personagens.

Apesar de ser chamado de um dos Super Kid, Gokdari tem quase 200 anos, o que contraria obviamente o titulo de Super Kid. A equipe ao se unir para combater os malfeitores lembram bastante a interação de equipes de Tokusatsus. O filme chegou a ser dublado no Brasil, o que é no mínimo bizarro, pois não tem qualquer apelo nem esse tipo de animação, e nem a trama em si, que é bastante genérica. Um dos dubladores ainda enfiou um easter egg clubista, ao assobiar o ritmo do hino da Sociedade Esportiva Palmeiras, da maneira mais gratuita possível

Yi Yong Um conduz o longa que tem 105 minutos de duração, e nele há umas batalhas meio genéricas e bem mal desenhadas. A forma como Gokdari se movimenta tem ainda mais semelhanças com Goku, seu cabelo vibra como se fosse virar um SSJ, e seu bastão que usa como arma também cresce, e seus cabelos ficam vermelhos, como Vegeto em Dragon Ball GT e como em o Super Sayajin Deus visto em A Batalha dos Deuses.

O traço lembra os de cartoons mais antigos, da década de sessenta e setenta, o que é no mínimo bizarro, já que o filme é dos anos noventa. Há momentos que a produção lembra os Dennis O Pimentinha e Inspetor Bugiganga, principalmente nas feições dos personagens coadjuvantes, normalmente narigudos e de voz engraçada. O desfecho do filme envolve uma luta fraca, contra vilões que parecem demônios, em um evento extremamente genérico. Se a realmente houve uma tentativa de copiar Dragon Ball, poderiam ter feito também com o ritmo aventuresco e divertido que Toriyama fazia em suas historias, mas não, Super Kid é extremamente bobo e frívolo, não marcando em absolutamente nada quem assiste o filme.

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