A Psicanálise Novamente Parte VI – O Sexo e A Morte

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Ainda sobre o falicismo e a castração, Freud observava em análise a sexualidade das pessoas durante a sua suposta construção do tal Édipo, fazendo a suposição de que primordialmente não existiam meninas. Isto porque elas seriam ignorantes, tanto quanto os meninos, a respeito da verdadeira diferença sexual. Elas não teriam vagina, e sim um clitóris que não era senão algo meio peniano mas muito pequenininho, que elas usavam prazerosamente em sua masturbação, assim como os meninos podiam usar os seus também ainda tão pouco desenvolvidos. Ele achava que não se encaixa no psiquismo humano nenhuma ideia de diferença sexual, que isso não está marcado em nenhum arquivo do inconsciente, pouca diferença na infância, no entanto, quando um se deparava com outro, se é que se deparavam, os meninos achavam que as meninas não tinham o que eles tinham e, portanto, quem sabe? Alguém o teria tirado. Vai ver estavam se masturbando e o pai foi lá e cortou o piu-piu delas! E as meninas, justamente pelo lado do avesso, quando descobriam que os meninos tinham, achavam isto um absurdo e pensavam: “Cortaram o meu, e eu sou castrada.” Como eles também achavam que elas eram umas castradas, ficaram vantagens e desvantagens do tipo: os meninos tinham o que as meninas não tinham, portanto, eram machos, potentes, proprietários, e elas despossuídas; a única compensação sendo que, fazendo certo esforço, elas podiam conseguir algum, ou mesmo todos os deles, ou, também, talvez pudessem vir a ter algum bebê para substituir aquela falta terrível.

Obviamente que o exemplo citado por Magno é uma caricatura, que demonstra o quão equivocada é a famigerada teoria da castração. Os homens teriam que passar o resto de suas vidas mostrando o pau precário e ameaçado que supõem ter, botando o pau na mesa, enquanto as moças, coitadas que seriam, ficariam com inveja do pau que não têm para mostrar e não para botar na mesa.

Magno cita uma pesquisa de campo que ajuda a derrogar a ideia de complexo de castração e que atinge as causas admitidas de perversão sexual, fetiche, homossexualidade, etc, em que não pode-se acreditar com a mesma facilidade e tontice de antigamente. Um livro saído agora nos EUA, há dois ou três meses (à época da palestra, evidentemente, nos idos de Setembro de 1999), Biological Exuberance: animal homossexuality and natural diversity, de um cientista chamado Bruce Bagemihl, que demonstrava inúmeras falhas quanto ao que se pensava sobre o programa etológico dos comportamentos dos animais. Pensava-se que, em todas as espécies, havia um etograma referido à reprodução e que, por exemplo, não haveria homossexualidade animal. Poderia, muito raramente, ocorrer, mediante um defeito cerebral ou coisa assim. Mas esse autor demonstra que a homossexualidade é amplamente distribuída pelo mundo animal. Portanto, o programa não é necessariamente reprodutivo. Parece uma bobagem, mas balança inteiramente o velho coreto, porque as formações na espécie humana não são necessariamente perversas, podendo ser formações disponíveis mesmo no que Magno chama de Primário.

Homens e Mulheres não são senão o animal que “SOMOS” o qual por uma questão de ordenação na história biológica de sua produção, apareceu por aí como Macho e Fêmea. Na concepção de psiquismo humano, que está liberto disto e é capaz de produzir cada vez mais próteses, o que tem o homem a ver com isto? O que tem a ver com isto a mente que é capaz de, mesmo sem conseguir, requisitar o que quiser? Que limitação é essa que impuseram a ele? Na verdade ou, como se diz, no fundo do fundo, ninguém da espécie humana a aceitou até hoje. Tanto é que se inventam comportamentos sexuais que não estão limitados nem pelo sexo anatômico, nem por esses modos de gozo.

Existe sim orientação sexual, mas não a que eu queira dar a outros. Há que descobrir qual é. A bissexualidade, isto talvez seja verdadeiro nos níveis jornalístico e sociológico, dada a sintomática do mundo atual. Quando um homem ou mulher querem dizer que não são homossexuais, dizem que são bi, mas isto não é verdadeiro.