Melhores filmes de 2012, por Jackson Good

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Saudações, nem tão nobres colegas. Chegou a hora da nossa tradicional (é apenas a segunda vez que acontece, mas quem se importa) escolha dos destaques cinematográficos do ano que passou. Houve uma leve mudança em relação à lista anterior, intitulada “Os melhores blockbusters”, agora estão inclusos filmes que não se enquadrariam nessa categoria, por terem orçamento baixo e/ou lançamento limitado. Mas o espírito massa véio permanece em todas as escolhas, afinal este é o Top 10 do cara do blockbuster/cinéfilo de verão. Antes, porém, uma rápida menção desonrosa não ao pior, mas àquele que foi de longe o mais decepcionante do ano: O “Espetacular” Homem-Aranha. Os caras tinham que se esforçar muito, mas muito mesmo, pra tirar o bom e velho Cabeça de Teia desta seleção. E vejam só, conseguiram! Parabéns, campeões. Enfim, vamos à lista, naturalmente de baixo pra cima.

10. Looper – Assassinos do Futuro
Bastante controverso, o filme recebeu duras críticas, em especial pelo roteiro não muito bem resolvido e arrastado em diversos momentos. Mas ele ganha pontos por apresentar uma boa direção, cenas de ação bem legais, interessantes conceitos acerca de viagens temporais, e dois Bruces Willis; o próprio e Joseph Gordon-Levitt, numa atuação digna de nota e que supera até a bizarra maquiagem digital. Num ano cheio de decepções, isso bastou para Looper estar aqui.

9. 2 Coelhos
Uma produção nacional estar presente nesta lista é deveras surpreendente. Mas não dava pra deixar de fora este divertido filme de ação, como visual ultra estilizado e repleto de referências à cultura pop. O diretor, produtor e roteirista Afonso Poyart mostrou-se claramente influenciado por Zack Snyder, Quentin Tarantino e Guy Ritchie, entre outros, e entregou um produto fora dos padrões do cinema brasileiro. Ainda que peque por alguns excessos, é mais do que louvável ver algo fora dos eternos “gêneros” favela, sertão, Selton Mello e comédias imbecis com cara de televisão.

8. Poder Sem Limites
Partindo do já explorado à exaustão estilo handcam, e do igualmente pouco inovador tema “pessoas comuns ganhando superpoderes”, esta modesta produção conseguiu surpreender. O roteiro foi muito bem trabalhado no sentido de tornar humanos e críveis os personagens e suas ações. Em essência, é uma história de origem de um herói – e de um vilão, simples, porém bem contada, coisa que muitos filmes milionários falham em fazer. Destaque merecidíssimo.

7. Operação Invasão (The Raid: Redemption)
Sensação em vários festivais pelo mundo desde 2011, o filme indonésio chegou ao Brasil direto para o home video, com um título caprichado. A história trata de uma equipe de elite da polícia de Jacarta invadindo um prédio controlado por traficantes, e se ferrando gloriosamente no processo. As cenas de luta são coreografadas de forma impressionante, uma porradaria épica como só os orientais sabem fazer. Além do melhor uso de uma geladeira desde Indiana Jones 4. Já está programado um remake norte-americano, mas nem precisa dizer que o original é que deve ser assistido o quanto antes.

6. Dredd
O policial badass dos quadrinhos britânicos surge bem colocado no Top 10, graças à fiel adaptação estrelada por Karl Urban. Com uma trama bastante similar ao item anterior, mas indo além por trazer um interessante pano de fundo sci fi (e um protagonista mais marcante). Ação constante, violência sem concessões e um 3D bem empregado renderam uma das melhores surpresas do ano, e que infelizmente pouca gente viu, dada a passagem relâmpago pelos cinemas.

5. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge
Ah, a polêmica. Este era um filme que tinha tudo pra estar no topo da lista (ok, mentira, mas o 2º lugar era garantido), as posições perdidas se devem única e exclusivamente ao roteiro. Foram muitos os elementos forçados, sem sentido prático, presentes em nome de um pretenso conteúdo simbólico, metafórico, subtextual. Se fosse uma obra puramente alegórica, nada de errado. O problema é que ela não é: sacrificou-se toda a contextualização realista tão bem construída pelas duas partes anteriores da trilogia. Ainda assim, é um filme poderoso, com excelente ritmo, direção fantástica e atuações espetaculares. E ainda é o Bátema, porra.

4. O Hobbit – Uma Jornada Inesperada
Outro com potencial pra ser o campeão do ano (quer dizer, o vice), mas nesse caso a colocação se justifica mais pelos méritos dos concorrentes do que pelos seus próprios deméritos. Que se resumem à duração além do necessário e à consequente perda de ritmo, aliás. Peter Jackson mais uma vez está de parabéns por trazer a magia da Terra-Média até nós, com um filme divertido, empolgante e com um visual deslumbrante – que fica ainda melhor no 3D 48 quadros por segundo. Duas cenas de sair e pagar o ingresso de novo: Adivinhas No Escuro e a origem do Escudo de Carvalho.

3. Sherlock Holmes – O Jogo de Sombras
Lá no distante janeiro de 2012 tivemos uma das melhores aventuras da temporada. A segunda parte da franquia que “modernizou” o clássico detetive britânico superou e muito a primeira, com Guy Ritchie caprichando na direção e uma trama épica de conspiração internacional. Sem falar no sensacional embate intelectual entre Holmes e seu nêmese Moriarty, engrandecido por Robert Downey Jr. (o cara do ano) numa atuação inspirada, e Jared Harris mais inspirado ainda.

2. Os Mercenários 2
Sylvester Stallone, Jason Statham, Jet Li, Chuck Norris (na melhor cena do ano, sem discussão), Terry Crews, Randy Couture, Liam Hemsworth, Scott Adkins, e também Jean-Claude Van Damme, Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger. Nem precisava acrescentar mais nada, mas enfim: outra sequência infinitamente melhor que seu predecessor, assumiu o tom de comédia e acertou em cheio. Grande homenagem ao cinema brucutu dos anos 80 regada a tiros, porrada, mais tiros, explosões e mais alguns tiros. Pode algo ser melhor que isso? Hã, pode.

1. Os Vingadores
Repetindo o que foi dito na lista de 2011, empolgação é a palavra-chave em um blockbuster. Assim, esta escolha já estava definida no momento em que o filme foi anunciado. Só uma catástrofe de proporções bíblicas mudaria as coisas. O que seria improvável, tendo em vista a competência da Marvel Studios em construir seu universo cinematográfico e preparar o terreno para a grande reunião de seus heróis. Atendeu às enormes expectativas, entregando ação, diversão, humor, ótimos efeitos visuais e uma trama simples mas que cumpre aquilo que se propõe a fazer. Um filme perfeito? Evidente que não, mas ele é maior que seus defeitos. Os Vingadores é maior que a VIDA.

Texto de autoria de Jackson Good.