Vai se foder, 2016

No Brasil, o ano de 2017 começou com um assassino de extrema direita invadindo uma festa de final de ano e matando 12 pessoas da mesma família (9 mulheres, 2 homens e 1 criança). Entre essas pessoas, estavam sua ex-mulher e seu filho de nove anos. Porque ele fez isso? Bem, segundo sua cartinha, o imbecil estava cansado das vadias que estragaram sua vida, ele não suportada mais a Lei “Vadia da Penha”, e queria matar todas as vadias… Vadias, vadias, vadias. Você sabe, o tipo de falta de raciocínio que faria um fã fervoroso de Jair Bolsonaro chorar de orgulho.

No hemisfério Norte, a Nova Guerra Fria está prestes a acabar em 20 de janeiro, quando o novo presidente-fantoche dos EUA, Donald Trump (ex-apresentador de realities shows idiotas e cabeça de esquemas de fraude e estelionato), “assumir” a presidência do maior poderio industrial-militar da história para obedecer aos mandos e desmandos de seu novo mestre: Vladimir Putin (pessoalmente, eu acho essa situação toda hilária e extremamente irônica).

E esse é só o começo de 2017.

Mas não se engane, 2017 é só uma consequência. A verdadeira causa de tudo que estamos vivendo e vamos viver pelas próximas décadas é o ano de 2016, que será lembrado como o ano em que o século XXI ficou literalmente louco. Se esse século fosse uma pessoa, poderíamos dizer que ele teve uma infância difícil desde 2001, mas que, apesar dos pesares, ele ainda tinha potencial para crescer e se tornar um século respeitável. Infelizmente 2016 foi o ano em que esse adolescente chamado século XXI descobriu sua paixão incontrolável pelas pedras de crack.

Se 2016 tivesse um rosto… seria esse. (Fonte)

BRASIL: O Bom Gigante Adormecido.

Esse tópico vai ser difícil. 2016 foi o ano em que nossa política passou de péssima para porra!

Tudo começou em dezembro de 2015, quando o ex-presidente da câmara de deputados federais e atual presidiário Eduardo Cunha decidiu aceitar um pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Roussef, porque descobriu que sua barra não seria limpa no Conselho de Ética pelos crimes que acabaram cassando-o posteriormente.

O parecer do impeachment foi desenvolvido pela desvairada e descontrolada advogada Janaína Paschoal, que recebeu 45 mil reais do PSDB para fazê-lo (de maneira apartidária, é claro). O argumento usado foi o de “pedaladas fiscais”, termo criado por entusiastas de futebol para se referir à operações orçamentárias realizadas pelo Tesouro Nacional. Mas ninguém liga para isso.

O impedimento foi para votação na Câmara de Deputados, em que tivemos bastante vuvuzelas, balões, camisetas da CBF e confete. Tivemos gritos de sim acompanhados de “pela minha família”, “pela maçonaria” e “pela paz de Jerusalém”. A imprensa internacional ficou surpresa em descobrir que o Carnaval está presente também na nossa política.

Após o fim do processo na Câmara, Eduardo Cunha foi convenientemente afastado de seu cargo como presidente pelo STF, e o novo presidente da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, anulou o impeachment. Menos de 12 horas depois, ele anulou a anulação. Não entendeu? Tudo bem, ninguém entendeu também.

Após a aprovação pela Câmara, o processo rodou no Senado, onde a perícia chegou a conclusão que Dilma autorizou 3 decretos incompatíveis com a meta fiscal (lembrando que essa meta foi revista pela PLN 5/2015), mas não havia cometido nenhuma pedalada fiscal. Mas isso é irrelevante, porque Dilma sofreu o impeachment devido o “conjunto da obra“, o novo crime (?) do momento. E para surpresa de todos, especialmente Fernando Collor, ela perdeu seu cargo mas manteve seus poderes políticos.

Após a provação do impeachment pelo Senado, Michel Temer assumiu definitivamente a cadeira de presidente do Brasil, para a alegria de sua esposa, Marcela Temer, que se veste muito bem. Ah, e talvez ele seja satanista. Talvez.

Tivemos também (novamente) o surgimento da figura do Salvador da Pátria. O homem que vai limpar esse Brasil sozinho, com o poder da Lei e da Ordem. O inigualável e incrível juiz Joaquim BarSérgio Moro. Aquele juiz implacável do caso Banestado, lembra? Que sua graça divina nos ilumine! (E por favor, Pai Moro, se estiver me ouvindo, não divulgue meu histórico de navegação da internet)

Esse ano de 2016 foi também agraciado pela nova dupla sertaneja, Marx e Hegel. Com participação do novo princípio legal de convicção sobre provas e, meu favorito, o PowerPoint do mau! É impressionante perceber o que um estagiário pode fazer com um computador nesses dias.

“Podemos ver nessa fotografia que o ex-presidente Lula destruiu a cidade de Tóquio em 1954. ”

Há também a reforma nas escolas, que não agradou os especialistas e muito menos os estudantes. Mas o Governo permanece confiante.

E quanto a economia? Não se preocupe, tudo ficará resolvido com uma reforma da previdência em que você terá que trabalhar ininterruptamente desde os seus 16 anos até os 65 para conseguir o teto da aposentadoria (militares e policiais estão fora dessa, porque eles não são cidadãos de segunda classes como nós). A justificativa para isso é que previdência social está quebrada, segundo o governo. Mas os Auditores Fiscais da Receita Federal afirmam que a previdência é superavitária (eles têm até uma cartilha!). Se eu não soubesse com quem estou lidando eu poderia pensar que o Governo que nos ferrar, né?

Tivemos a maravilhosa proposta da PEC 55, que pretende congelar por 20 anos nosso orçamento na saúde e educação, algo sem precedente na história da humanidade. Bem, espero que nesses próximos 20 anos a população não aumente, senão podemos ter um probleminha em nossas mãos. Sem falar no benefício de 100 bilhões que o Governo queria dar para as empresas de telecomunicações. (Mas o Brasil não estava quebrado?)

Em 2016 tivemos também o melhor momento da história do STF: a tentativa patética de retirada de Renan Calheiros de seu cargo como presidente do Senado. Renan Calheiros, a cobra que é, mostrou aos deuses do STF como funciona a política em uma república de bananas. Contemple a humilhação que esse oficial de justiça sofreu ao tentar fazer seu trabalho e ser tratado como um nada pelo velho Renan. Ele nunca se sentiu assim em toda sua vida. Tenho que admitir, é um feito e tanto.

E eu nem vou falar da maravilhosa atuação da Rede Goebbels nisso tudo. Eles merecem um post só sobre eles.

Resumindo: é por isso que eu parei de assistir “House of Cards” em 2016. 

EUROPA: Apertem os cintos, a Inglaterra sumiu!

Vou deixar isso bem claro desde o início: ingleses são babacas. Isso não é uma ofensa, é a constatação de um fato. Não é culpa deles, eles não fazem de propósito, eles não querem ser babacas… Mas eles são. Faz parte da cultura deles. Se eles não fossem babacas, não poderiam ser ingleses. Entendido? OK. Então, estamos realmente surpresos que os ingleses disseram não à União Europeia? O que você esperava? Eles são babacas.

O BREXIT talvez tenha sido o único evento desse ano maldito que faz sentido. Quer dizer, não é como se os britânicos jamais gostassem da Europa. Ou se sentissem parte dela. Ou se identificassem com ela. Eles permanecem isolados do continente, quase como se fossem… uma ilha.

Somando isso à crise dos refugiados, a crise econômica que erodiu o bloco econômico e o crescente número de atentados terroristas em capitais europeias… Bem, vamos dizer que as empresas de armamento militar estão bastante otimistas.

Ah, e Mein Kumpt voltou a ser um best-seller na Alemanha. (Quem caralhos ganha dinheiro com essa merda?)

EUA: Donald Trump, ou como eu parei de me importar a passei a amar a bomba.

Nas eleições ianques de 2016 o mundo todo se voltou para os EUA e disse, em tom de preocupação: “Você não pode ser tão idiota assim”. Em resposta, a grande nação norte-americana olhou para o resto do mundo com desdém e falou: “Você não pode me dizer o quão idiota eu posso ser”.

E aqui estamos nós: Donald Trump foi eleito presidente dos EUA. O que dizer dessa criatura?

Dizer que ele é um misógino, homofóbico, racista, islamofóbico, imbecil, estuprador, mentiroso, estelionatário, incompetente, tira sarro de pessoas especiaisladrão, estúpido, anticientífico e insano seria chover no molhado. Todo mundo sabe disso.

Então por que eles votaram nele? Porque aparentemente eles não gostaram de Hillary Clinton, o novo bicho papão da direita norte-americana. Se você perguntar a um republicano convicto porque ele não gosta de Hillary ele vai dizer que é porque ela voa em uma vassoura e joga praga nas pessoas. E logo depois dessa declaração vai haver uma reportagem completa na Fox News explicando como ela faz essas coisas. Dica: ela vendeu sua alma imortal para Lúcifer.

A parte mais triste foi que os democratas tiveram medo de colocar Bernie Sanders, um socialista convicto, para concorrer com o palhaço laranja. Eles pensaram que Sanders não tinha chance de vencer. E agora eles devem estar dando chutes nas próprias cabeças ao perceberem que sim, você pode eleger qualquer pessoa nos EUA.

Mas a melhor parte dessa eleição não foi a vitória da pessoa mais inepta da história ianque a assumir o cargo do maior poderio militar do planeta. Mas o fato dessa pessoa estar trabalhando para os interesses russos. Especificamente, os interesses de Vladimir Putin. Aquele ex-agente da KGB, lembra? Isso mesmo, a Rússia tem um novo presidente… Na Casa Branca.

Você consegue imaginar Putin sentado com seus amigos (?), bebendo a vodka mais cara do mundo, olhando ao redor e perguntando com um sorriso incrédulo: “Alguém imaginou que iríamos estar aqui nesse momento? ”. Eu posso, porque no momento que Donald Trump foi eleito, eu pude ouvir a risada maligna do velho Vlad à um hemisfério de distância.

As eleições ianques de 2016 foram como a reversal russa. Na Rússia, a queda do seu país não acaba com a Guerra Fria… É a Guerra fria que acaba com o seu inimigo.

Ура, товарищи!

AMÉRICA LATINA: Jogos, Trapaças e Dois Países Fumegantes

Na Colômbia, um plebiscito popular mostrou que diante da possibilidade de paz com as FARC, parece que o povo quer mesmo é ver bandido no chão. Mas parece que a Lei de Anistia foi aprovada pelo Congresso mesmo assim. Aparentemente foi mais uma terça-feira na Colômbia. Aliás, eles não estavam enviando ônibus cheios de comunistas para Brasília? Não? Ok.

E a Venezuela nos provou que ter petróleo em quantidade não significa porra nenhuma se você for imbecil. Ponto para a direita batedora de panelas, que nos avisou que os comunistas bolivarianos sanguinários do djabo são incompetentes e assassinos. E pensar que o Brasil sofreu com uma ditadura comunista dessas por 13 anos… Quer saber, esses venezuelanos estão reclamando de boca cheia.

E nossos hermanos argentinos? Bem, estão daquele jeito.

Pelo menos sempre teremos o Uruguai. 

CORÉIA DO SUL: Cara, cadê meu presidente?

Quando fiquei sabendo dos acontecimentos políticos na Coréia do Sul no ano passado, devo admitir que minha primeira reação foi achar que a coisa toda era um hoax ruim, criado para pessoas facilmente impressionáveis e fanáticos por teorias da conspiração. Acreditar em teorias da conspiração, tudo bem. Acreditar que a política é influenciada por variados fatores culturais e econômicos, é óbvio. Agora, acreditar que a presidente eleita da Coréia é fantoche de uma seita chamada Igreja da Vida Eterna e que praticamente todas as decisões presidenciais eram resultado dessa influência religiosa… Você tem que estar de brincadeira, certo?

Mas eu estava totalmente errado. Era real… Ou melhor, é real. E quando eu me dou conta disso, eu percebo que o que aconteceu na Coréia só demonstra como ano de 2016 foi o ano em que a humanidade ultrapassou a barreira da ficção e está vivendo uma espécie de simulacro bizarro, provavelmente escrito por David Lynch. O que aconteceu na Coréia do Sul foi tão surreal que eu não ficaria surpreso se após o impeachment da presidenta Park Geun-hye, Rod Serling aparecesse na televisão explicando que o que acabamos de ver foi mais um episódio de Além da Imaginação.

“E se Alexandre Frota desse conselho sobre a Educação de um país? E se o Kojak fosse ministro da Justiça? Isso e muito mais nesse episódio de… 2016 – Um ano do Barulho. ” (Fonte)

ENTRETENIMENTO: Burrice V Sanidade.

2016 foi um ano especial para o entretenimento. Principalmente para a comunidade antissocial, que se masturba compulsoriamente, usa óculos e tem espinhas no rosto.

Tivemos Capitão América: Guerra Civil, onde vários personagens amados da Marvel desceram a porrada uns nos outros e todo mundo se divertiu no final. Tivemos o Dr. Estranho boladão, com suas macumbas doidas e inimigos merdas, mas que também foi divertido no final. E Stranger Things, a série que nos fez lembrar porque os anos 80 foram tão bons conosco (exceto por Ronald Reagan).

Mas também tivemos Batman V Superman. Nossa, tivemos Batman vs Superman. Caralho. Eu poderia começar a falar desse atentado ao cinema perpetrado pelo Visionário, mas se eu começar eu não vou parar até estar espumando pela boca e falando Aklo.

E depois tivemos Esquadrão Suicida… Caralho.

Bem, acho que se aprendermos alguma coisa em 2016 é que a única chance da DC dar certo no cinema a partir de agora é contratando a Marvel.

FUTEBOL: Apocalipse Gol

Poderíamos dizer que 2016, apesar de muito ruim, não foi o pior ano de todos. Exceto se você for torcedor da Chapecoense.

Não há mais nada a dizer sobre essa tragédia que já não tenha sido dito centenas de vezes anteriormente. Os mortos foram enterrados, mas as mágoas continuam. Força Chape.

(Fonte)

(Menção Honrosa ao Internacional, com seu timing perfeito. O time de Porto Alegre conseguiu cair para a Série B no mesmo ano em que seu rival, o Grêmio, ganhou um título de relevância nacional… Depois de 15 anos. Parabéns, nem operações militares são tão precisas assim.)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Eu gostaria de escrever algo engraçado no final desse texto para dar alguma esperança a você, leitor… Mas eu não posso. Se tem uma coisa que eu aprendi com Max Rockatansky é que a esperança é um erro. Se você não consegue consertar o que está quebrado, você acaba ficando insano. Portanto eu vou terminar esse texto com um clipe irônico: It´s the end of the World, do REM. Porque realmente é o fim do mundo como o conhecemos, mas eu não me sinto bem. Na verdade, acho que nunca mais vou me sentir bem de novo.

Boa sorte em 2017. E vai se foder, 2016.

Texto de autoria de The Nindja.