Academia cumpre a promessa por mais diversidade no Oscar

Academia prometeu um Oscar com mais diversidade após polêmicos questionamentos acerca dos motivos pelos quais o prêmio é pouco representativo

chris

Após polêmica com relação à representatividade no Oscar de 2015, no qual 90% do corpo de jurados eram formados por homens brancos de idade avançada, tivemos a promessa e agora a concretização de uma academia cinematográfica e prêmios com mais diversidade.

Foram chamados 683 novos participantes, sendo que 46% deles são mulheres e 41% do total são não-caucasianos. Dentre as pessoas chamadas estão Oscar Isaac, Brie Larson, Idris Elba, Michael B. Jordan, Tina Fey, Takeshi Kitano, O’Shea “Ice Cube” Jackson; e ainda pessoas ligadas a trabalhos técnicos, como Cary Joji Fukunaga, Ryan Coogler, Lexi Alexander, Xavier Dolan, Ana Lily Amirpour, James Wan, e Lana e Lilly Wachowski.

O destaque fica para os convidados brasileiros Anna Muylaert (Que Horas Ela Volta?) e  Alê Abreu (O Menino e o Mundo), Rodrigo Teixeira, Antonio Pinto, Lula Carvalho, Renato dos Anjos, Affonso Gonçalves e Pedro Kos.

Entendendo o momento e a polêmica

O Oscar cede a vetores políticos muito claros. Não à toa existe a anedota de que, se você não ganha o prêmio principal, seja como ator ou realizador, só precisa fazer um filme sobre o Holocausto. Isso tem a ver com o exorcismo que a comunidade americana faz frequentemente sobre seus momentos. A questão do mérito é discutida durante todo o ano, pois obviamente se dá prioridade a filmes artisticamente conservadores e com temas que possam se encaixar facilmente em uma prateleira. 12 Anos de Escravidão teve algum destaque na Academia, pois traz seus atores em papéis considerados “adequados” e facilmente encaixáveis, e não em papéis mais empoderados.

Então se o mérito não é condição mínima pra ser premiado, o fato de não haver negros concorrendo em nenhuma instância é bastante relevante.

A questão mais relevante é que o cinema opta por não mostrar minorias

Outra questão é que não são incomuns filmes sobre personagens negros contarem apenas com atores caucasianos. Ridley Scott falou sobre isso na ocasião de Exodus, dizendo que ninguém financiaria um filme que se passa no Egito estrelado pelo Mohamed Qualquer Coisa. Então a questão é ainda mais profunda, pois simplesmente se obstrui o aparecimento de minorias no cinema americano com o que se chama “alvejamento”. Coisas parecidas acontecem em nossas novelas, em que você tem um núcleo principal que acontece na favela e dos 50 atores da novela, dois negros em papéis terciários ou interpretando empregados domésticos. Há ainda as novelas da Igreja Universal que só escalam o negro como condição de escravo, mesmo em histórias que ocorrem na África.

Sem esse papel político do público e dos realizadores, a premiação da diversidade será sempre um caso exótico.

No cinema, a mesma Marvel fez questão de trazer Ryan Coogler (Creed) para dirigir O Pantera Negra, primeiro filme de herói negro no cinema. Para a Warner/DC, a questão é trazer no primeiro filme da Mulher-Maravilha uma diretora e colocar a personagem no contexto da luta pelos direitos das mulheres, bem como a produção do filme Ciborgue, personagem também negro e de grande destaque nos quadrinhos e TV atualmente.

É preciso que esta mudança ocorra, pois não só negros são sub-representados no cinema, mas também muçulmanos, latinos, asiáticos e a população LGBT. Justamente pelos critérios conservadores que possui, o Oscar vem perdendo relevância com o tempo. Como todo negócio, a indústria cinematográfica precisa compreender esta tendência e se atualizar, ou terá de se preocupar cada vez mais com a saúde da indústria.

Este texto usou parte do artigo publicado aqui.

Texto de autoria de Marcos Paulo Oliveira.