Crítica | Amor à Queima-Roupa

Amor à Queima-Roupa

Em 1993, Tony Scott assinou seu nome na indústria do cinema ao dirigir Amor à Queima-Roupa, uma história de amor pra lá de distorcida, que contava com um elenco impecável e um roteiro original em mãos. O dono desse roteiro era um certo atendente de locadora, fascinado por cinema e aspirante a diretor. Quentin Tarantino.

Tarantino já havia dirigido Cães de Aluguel em 1992, que não foi tão bem de bilheteria, mas muito bem aceito pela crítica e pelos astros de Hollywood, que ficaram impressionados com o trabalho do diretor e estavam ávidos para trabalhar com ele, deixando de lado até mesmo os cachês exorbitantes que recebiam, apenas para trabalhar com o homem.

Porquê estou dizendo tudo isso? Porque o roteiro de “Amor à Queima-Roupa” proporcionou ao Tarantino filmar seus “Cães de Aluguel” e como dizem, o resto é história. O fato é que na época em que o roteiro foi vendido, ninguém deu muita importância para ele, até que acabou nas mãos do diretor de Top Gun.

O filme conta a história de Clarence (Christian Slater), um vendedor solitário que mora em uma loja de quadrinhos e que sua rotina se resume a assistir filmes de artes marciais e passar a noite em lanchonetes. Em uma dessas noites, ele encontra Alabama – interpretada por Patricia Arquette (simplesmente linda) – em uma sessão de filme de Kung-Fu. Alabama é recém chegada na cidade, partiu do interior para conseguir um lugar ao sol na cidade grande.

A intensidade do amor dos dois é tamanha que ambos decidem se casar no dia seguinte. Porém, Clarence fica incomodado com o passado da garota, que tinha se tornado prostituta a mando de Drexl (Gary Oldman), e Clarence seria seu primeiro cliente. O recém-noivo decide dar às caras ao antigo “patrão” de Alabama, e a coisa termina em massacre e uma mala cheia de cocaína para Clarence, que decide partir rumo a Hollywood para vender toda essa droga para algum grande astro do cinema. Só que essa cocaína tem dono, e são ninguém menos que a máfia italiana.

Após esse pequeno resumo da trama do filme, é fácil notar o porque ele tem a assinatura de Tarantino. Amor à Queima-Roupa tem todos os elementos que veríamos em seus filmes futuros: Sua paixão por filmes asiáticos e western spaghetti, referências aos quadrinhos de super-heróis, violência desenfreada, diálogos marcantes e sua paixão quase adolescente pelo cinema. A princípio, o roteiro era fragmentado, outra característica típica do Tarantino, mas Tony Scott preferiu deixá-lo linear, o que funciona muito bem. As referências que Tarantino visitaria novamente são inúmeras.

No longa ainda temos as participações de James Gandolfini, Dennis Hopper, Samuel L. Jackson, Val Kilmer, Brad Pitt, Christopher Walken, apenas para citar alguns. É fácil notar que todos estavam se doando para suas personagens e se divertindo muito com isso. As sequências de diálogos são memoráveis, entre o ponto forte está uma cena onde o pai de Clarence (Hopper) se encontra com o mafioso siciliano (Walken). Brilhante.

É interessante notar que sempre que comentado sobre Amor à Queima-Roupa, muito se é falado sobre o roteiro de Tarantino e pouco sobre a direção de Tony Scott, porém, isso acaba desmerecendo o trabalho de Scott, que faz uma direção com grandes tomadas e um ótimo trabalho do elenco, é claro, que o roteiro ajuda muito, mas outro diretor poderia destruí-lo, o que não é o caso de Tony Scott.

Obrigatório para quem quiser entender um pouco do Tarantino antes de ser aclamado pelo mundo como diretor e confirmar que a genialidade do cara, já estava ali desde sempre, repleto de referências que só ele mesmo saberia utilizar por muito tempo.