[Crítica] 12 Horas Para Sobreviver: O Ano da Eleição

A franquia Uma Noite de Crime de James DeMonaco ganha mais uma sequência, dessa vez, revitalizada ao deixar o suspense de lado como em Uma Noite de Crime. Seguindo a vertente de Uma Noite de Crime: Anarquia em que se esboçava uma análise sobre a sociedade e a função da nova lei do Expurgo, 12 Horas Para Sobreviver: Dia da Eleição se aprofunda neste tema e mantém a eficiência através de cenas de ação.

O título brasileiro demonstra a vontade de adequar um novo público, descolando a história do formato de suspense / terror da produção com Ethan Hawke no elenco. Desde esta primeira trama, havia um potencial dramático a ser explorado, demonstrando a divisão da sociedade e do quanto uma lei radical como a do Expurgo deixaria grande parte da população a margem da violência, incapaz de se proteger devido à falta de recursos.

O universo da franquia sempre teve esse potencial para explorar o fator social e a nova sequência reflete este aspecto sem deixar de lado a ação inevitável de grupos sobrevivendo ao expurgo. Em parte, o roteiro reflete o embate da política americana, principalmente devido a forte polarização nas demandas dos candidatos à presidência na eleição do ano anterior. O roteiro estrutura com qualidade o grupo de políticos responsáveis pela lei do expurgo e a resistência à lei. Se no filme anterior, o público analisava parte da população que fazia resistência ativa contra a lei, nesta nova produção surge em cena uma senadora, candidata a presidência, cuja campanha se pauta na revogação do expurgo.

Das três histórias lançadas, é a produção mais equilibrada, capaz de explorar a vertente social com bons personagens e trocando o suspense banal por cenas de ação do grupo central (cujo bom personagem do anterior, Leo Barnes, retorna) fugindo das movimentações locais. Ainda que existam diversas cenas plásticas mostrando a violência da lei, são momentos breves que servem apenas para marcar o registro narrativo anterior.  Ao enfocar o topo da pirâmide desta sociedade distópica, as semelhanças com o presente tornam-se claras, resumindo que a política sempre será configurada por grandes homens a procura de seus intentos próprios e não a favor, necessariamente, de adequar uma democracia geral.

Mesmo valendo-se de um futuro provável em que o conceito de distópico é a maneira mais fácil de defini-lo, a história composta por DeMonaco (que também dirige a produção) demonstra-se mais efetivo do que as populares distopias que invadiram o cinema nos últimos anos. Seguindo um viés mais popular de um filme de ação e suspense, o roteirista / diretor foi capaz de inserir elementos de análise do movimento presente, ao mesmo tempo em que produziu um bom filme. Evidentemente, o sucesso não terminará aqui e já há outra sequencia programada, dessa vez, focada na motivação que levou a fundamentar a lei do Expurgo. Quem sabe seja um passo anterior e densamente dramático que faça com que a história cresça ainda mais.