Crítica | 7 Dias em Entebbe

Após trazer a luz a refilmagem de Robocop, José Padilha se aventurou pela dramaturgia televisiva, nos recentes Narcos e O Mecanismo. 7 Dias em Entebbe é seu retorno ao cinema americano e conta a história de um caso famoso em 1976, quando ocorreu o sequestro de um avião francês que continha alguns israelenses. O sequestro foi organizado por um grupo revolucionário pró Palestina, formado por alemães inexperientes com o dever revolucionário, mas claramente bem intencionados. Os personagens principais são Wilfried Böse (Daniel Brühl) e Brigitte Kuhlmann (Rosamund Pike), da parte dos sequestradores, além é claro de alguns soldados israelenses, normalmente representados por Zeev Hirsch (Ben Schnetzar).

Padilha mostra já no inicio a diferença de seu modo de contar história no Brasil e no exterior. Ao contrário do que havia feito em Tropa de Elite e Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro, não há narração em off. Em comum com produtos mais recentes de sua filmografia, a abordagem erra na representação do pensamento revolucionário. Os personagens de Brühl e Pike são mostrados como idealistas distantes demais do bom senso e de qualquer realidade tangível, são mostrados como ignorantes que não conseguem realizar qualquer mínima ação mais violenta, tampouco planejar uma forma pacífica de agir com os reféns levando em conta que são no final das contas, idealistas humanitários. O ideal dos personagens é mostrado de uma forma confusa, de maneira tão caricata que faz perguntar se a ideia do roteiro de Gregory Burke não é fazer piadas com esse núcleo.

O longa possui tantos núcleos de personagens que faz ele parecer um filme coral. a questão é fora os ativistas da Alemanha todos os outros são bidimensionais, incluindo aí os soldados israelenses e outros guerrilheiros palestinos. As pessoas que deveriam ser os heróis além de soarem como personagens de plano de fundo raso,  agem de forma pueril. O máximo de aprofundamento que acontece com eles são nas cenas de ação onde os mesmos correm com os cabelos ao vento, em sequências tão fracas que fazem perguntar se referenciam os filmes de Michael Bay, em especial 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi.

As discussões sob viés ideológico também soam pueris. Em um determinado momento o personagem de Brühl é confrontado por um companheiro de revolução, e ele de maneira clichê , joga na cara deste que sua vida na Europa é abastada e que por isso ele automaticamente não teria a mesma força de vontade dos outros revolucionários. Essa mensagem nem precisa ser invalidada, mas a sua colocação desta forma soa óbvia e muito ingênua o que é péssimo visto que o filme se pretende levar a sério como um thriller.

Padilha trouxe alguns amigos pra trabalhem com ele: a fotografia é de Lula Carvalho, música de Rodrigo Amarante e montagem de Daniel Rezende. O problema é que nenhum desses elementos é bem encaixado na trama. A montagem em alguns momentos é pontuada por erros grosseiros de continuidade, e o ritmo de filme causa enfado. A fotografia deixa elementos escuros demais sobressaírem, e a música não é ruim, mas tem destaque num momento complicado do filme que é no núcleo de dançarino, exatamente no momento onde o roteiro se torna mais desnecessário dramaticamente falando, uma vez que praticamente nada aqui interfere realmente nas tramas principais.

7 dias em Entebbe é um filme que não causa quase impacto nenhum no público, a tensão que deveria ser seu mote principal é cortada por momentos de longas  discussões políticas rasas e que pesam principalmente por não conter qualquer viés de julgamento, resultando em uma falta de reflexão onde sobra a isenção que os críticos de José Padilha gostam de amputar a si. Quando o filme tem escolher um lado, não o faz, isso ocorre entre outros fatores pela covardia de seus realizadores, que contam uma história densa e complicada sem conseguir refletir sequer sobre o caráter dúbia de toda essa situação.

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