[Crítica] A Busca

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Uma história normalmente é composta por um gatilho. Um acontecimento, seja interno ou externo, que desencadeia a ação ou a reflexão. No filme dirigido por Luciano Moura, o que transforma A Busca é o desaparecimento repentino de Pedro, filho único de Theo e sua jornada ao procurá-lo.

Interpretado por Wagner Moura, Theo é um médico – elemento que mal se apresenta em cena – dentro de uma família despedaçada. Vivendo uma crise com a esposa e o desentendimento com o filho que não deseja o futuro ansiado pelo pai. A composição das personagens nos faz inferir que são uma representação da tradicional falta de comunicação familiar, e a suposta fuga do garoto o estopim que aponta o desmoronamento da família.

Em uma jornada dentro do Brasil, pai segue os poucos rastros deixados pelo filho. É evidente a sensação de compor um drama memorialista às avessas, que produza no público uma reflexão sobre a questão circular da trajetória da vida. Se filhos passam boa parte da vida acompanhando seus pais, aqui é o pai que segue, literalmente, os rastros do filho.

Mas a intenção de produzir o drama permanece presa nos meios da história. E o que parecia ser uma procura para compreender um filho, amplifica em demasia o destaque no pai que começa a olhar mais para sua própria mudança no percurso e esquece da agonia de não saber onde está o filho.

Há uma bela cena em que o pai mergulha em um rio, simbolizando a ideia de uma transformação batismal, que demonstra essa mudança abrupta de preocupação pelo filho desaparecido para aquele que, de alguma maneira, parece resgatar em si certo elemento perdido.

Se composto de maneira equilibrada e delicada, a ausência do filho da trama não necessariamente daria enfoque para o pai. Mas o roteiro de Elena Soares e Luciano Moura explicitam que o astro da história é a personagem de Moura, dando-nos a impressão de duas ideias colocadas justapostas e não bem amarradas em uma trama só.

Tentando dialogar sobre a desconstrução da família, do silêncio que separa os pais dos filhos, o filme peca ao conduzir a trama, tanto na cena com maior potencial dramático, quanto no próprio drama que se transforma desnecessariamente no decorrer da história.

Dando-nos a impressão de que, ao tentar fugir de clichês, seu argumento perdesse a naturalidade. Negando tanto o senso comum de uma narrativa que o produto final parece mais mal executado do que um produto sensível e original.