Crítica | A Esposa

A historia de A Esposa começa em Conneticut, no ano de 1992, mostrando o casal Joe Castelman (Jonathan Price) e Joan (Glenn Close) conversando na cama, após o homem se sentar no meio da noite, acordando enfim seu par, basicamente porque o mesmo está nervoso com as noticias do dia e resolveu assaltar a geladeira atrás de doces. O motivo do nervosismo dele é a possibilidade dele ser premiado com um Nobel de Literatura, e isso finalmente ocorre. A união dos dois é aparentemente perfeita e irretocável, mas o filme de Björn Runge trata de desmentir isso aos poucos.

Joe agradece a sua esposa, na frente de todos que lhe honram após o tão esperado anúncio o seu mérito, mas há no olhar e semblante de Joan algo estranho, um sentimento que não condiz com seu discurso apaziguador no que toca o marido, e  um tempo depois, em uma cena durante um vôo, um escritor chamado Nathaniel (Christian Slater) aborda o homem, querendo que ele permita que ele escreva uma biografia sobre o escritor, sendo tratado mal pelo homenageado. Joe é grosseiro, o chama de inconveniente e ele de fato se mostra oportunista, pois quando sai aborda outro literato antes de finalmente sentar.

Há uma exploração do passado do casal, onde Joane é interpretada por Annie Starke (filha de Close) e é mostrada como uma bela escritora, que aos poucos deixa sua prosa ousada por motivos machistas, primeiro, por um conselho de uma estranha e submissa mulher, que diz que esse estilo não combina bem com escritoras, e depois em prol da carreira do homem que se tornaria seu marido.

Este período é mostrado de forma um pouco expositiva. A riqueza dos sentimentos negativos que a personagem principal demonstra não é no passado, e sim em sua fase madura, onde ela já tem experiência o suficiente para fingir e dissimular, incluindo aí uma conversa inesperada com Nathaniel, a respeito de uma biografia não autorizada sobre o nobelizado e que poderia esconder que a fonte das informações negativas era a esposa do mesmo. É a partir daqui e após negar tudo que ela revela suas insatisfações e seus atritos com o esposo.

No final, há espaço para que Close possa abrilhantar o filme, com uma atuação emocional, visceral e carregada de um amargor digno de quem passou anos se enganando e engando os outros a respeito não só dos defeitos de seu par, mas também de suas próprias qualidades positivas. Apesar de certo sensacionalismo nos momentos derradeiros, A Esposa acerta bem mais que se equivoca e tem uma sobrevida de qualidade muito por conta do desempenho de sua atriz principal e dos demais integrantes do elenco, que permitem a ela um papel onde pode brilhar sem ninguém que a ofusque.

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