Cinema

[Crítica] A Forca

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Capitaneado pela iniciante dupla de cineastas Chris Lofing e Travis Cluff , A Forca a princípio busca resgatar bordões bem antigos de filmes de terror, sendo vendido como um filme que busca uma abordagem diferenciada, ao invés de apelar para questões triviais e repetitivas.

A trama inicia-se através da gravação de um vídeo amador, retratando um mambembe teatro escolar onde uma tragédia ocorre, encerrando a vida de um dos atores que substituía o papel principal, Charlie, cujo nome virou sinônimo de mau agouro. Passado o período de 1993, a trama passa a ocorrer anos depois, com tempo o bastante para uma nova geração de meninos assumir o tal "manto" e ocorrer uma incrível sequência de coincidência, que envolvem, entre outros fatores, mais um adolescente descerebrado – Ryan (Ryan Shoos) – que retrata seu amigo Reese (Reese Mishler). Apesar do background de atleta bem apessoado, ele nunca havia beijado uma mulher, fazendo da sua obsessão por Pfeifer (Pfeifer Brown) algo até compreensível.

O formato escolhido em primeira pessoa não foge do sistema em momento algum, ao contrário do erro constante em filmes de premissa interessante, como Marcados Para Morrer. No entanto, a métrica e edição não conseguem esconder os muitos problemas de continuidade, piorados pela eloquência através das palhaçadas do elenco formado por garotas e garotos lindos, mas sem craquejo para qualquer nível de dramaturgia.

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O background utilizado na fita é pobre, o que dificulta a capacidade do público de sentir empatia pelos personagens e seus mini dramas. Tudo aparenta frivolidade e falta de sentimentos, supervalorizando os conceitos de corrida atrás do sexo, ao estilo American Pie, mas sem aludir a qualquer nudez. A perseguição aos malvados e sexualizados é enfatizada como em tantos slasher movie, ainda que haja uma enrolação atroz, especialmente quando retrata a tosca aventura bully de Ryan, que no máximo glamoriza um discurso de moral contra a imaturidade e a futilidade, mas da maneira mais panfletária e mal construída que se possa imaginar.

A ideia de explorar os defeitos das câmeras, tanto as profissionais quanto as de celulares, é mal executada, especialmente por apelar para artifícios comuns (como falta de bateria etc), mas também perde verossimilhança em não justificar em muitos momentos o motivo para se gravar o processo das mortes.

A premissa, apesar de ser interessante, obviamente se perde, fazendo A Forca se assemelhar a um filho bastardo de A Bruxa de Blair, Canibal Holocausto e do mais recente REC, ainda que não consiga passar nem perto dos bons momentos de nenhum dos três. Pelo contrário, visto que seu roteiro não permite muitos sustos, surpresas ou histórias com conteúdo ou alma. Além de não acrescentar em quase nada do ponto de vista técnico, imbeciliza questões chave da temática de terror, como maldições hereditárias, sacrifícios de fantasmas e insanidade inata.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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