Crítica | A História do Mundo: Parte 1

Estrelado, dirigido e produzido por Mel Brooks, narrado pela lenda do cinema Orson Welles, A História do Mundo: Parte 1 é um épico, ou ao menos é uma paródia metalinguística desses, satirizando grandes partes da história da humanidade. Antes de falar da idade da Pedra e da descoberta do fogo pelo homem, Brooks homenageia, de seu modo, 2001: Um Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, antecipando um pouco do que seria o clima de sua obra posterior, SOS: Tem Um Louco Solto no Espaço, em que o alvo principal eram as space óperas como Star Wars.

Na fase da Pré-História, o roteiro mostra homens lidando com dinossauros e descobrindo o humor físico ao mesmo tempo em que entendem como funciona o fogo, e por mais que não seja pretensioso, o roteiro aponta para esse  aspecto cômico como algo antigo, mas ainda assim fundamental para o que se considera engraçado ou não, dando importância ao que fez gente como Jerry Lewis ficar tão famoso.

Não demora a começar a se explorar o Velho Testamento, na verdade o Pentateuco, que é o conjunto de livros que Moisés escreveu lá no início da Bíblia Sagrada. Aqui, o próprio Brooks brinca de fazer Moisés, imitando Charlton Heston em Os Dez Mandamentos, de Cecil B. Demille. A parte em que se fala da Roma antiga também faz alusão a mitos bíblicos, em especial na que deve ser a melhor das piadas do filme, quando o diretor atua como um taverneiro que pergunta aos apóstolos o que eles querem beber, no meio da Santa Ceia. Ele inquire Judas sobre o que beberia exatamente quando Jesus fala que um deles seria o traidor, e por mais telegrafada que seja a piada hoje, na época, funcionou de maneira hilária.

Roma  parece ser o maior alvo de críticas do texto, seja com o comércio, ou com piadas que discutem o racismo desse que seria o berço da civilização ocidental. Também se zomba das autoridades, na figura de Cesar, mostrando um sujeito incapaz de entender as mais simples piadas, proferidas pelo bobo da corte que faz um número Stand Up (obviamente, feito também por Brooks). As questões políticas também são levantadas, e o voto do Senado por retirar direitos dos pobres mostra que a política não mudou nada.

Também há um sem números de piadas com o cinema clássico, com os guerreiros reclamando de usarem armas de papelão, e essa desconstrução era tão comum nos filmes de Brooks que influenciaram até mesmo humoristas brasileiros, como o elenco d’Os Trapalhões, que também ironizavam falhas de orçamento do seu programa. O humor rasgado combina muito com a filmografia dos irmãos Zucker, embora esse tenha um pouco mais de inteligência, inclusive em suas diversas críticas aos costumes ao longo do filme.

A História do Mundo: Parte 1 é um filme de esquetes, tal qual A Vida De Brian e O Sentido da Vida, do grupo inglês Monty Python, mas com um humor americano típico, repleto de sátiras a si mesmo e a nossa história. O filme ainda conta com momentos musicais inspirados (como os da Inquisição Espanhola) desdenhando da maneira com que o cinema lidava com períodos sangrentos e nefastos. O timing de comédia de Brooks é sem igual e seu filme beira o genial, contando ainda com cenas pré créditos que aludem a uma parte 2 até hoje não concluída, cujo teor é um dos mais engraçados durante os 90 minutos de exibição. O clássico de Brooks funciona como motivação de riso, mas também de reflexão.

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