Crítica | A Lenda de Golem

Filme de fantasia israelita, que reúne elementos de ação, aventura e terror, A Lenda de Golem é dirigido pela dupla Doron Paz e Yoav Paz, os responsáveis por Jerusalém, de 2016. Em seu início, acompanhamos um velho adentrando numa sinagoga. Sua aparência remete a aspectos visuais de um mago dos livros de fantasia, e tudo fica mais estranho com ele se deparando com uma criatura. Assim, os elementos fantásticos são apresentados ao espectador e paulatinamente os diretores o desenvolvem.

Não demora a situar onde e quando a história acontece. No ano de 1673, na Lituânia, as mulheres verificam constantemente se existem traços ou indícios de bruxaria em seus corpos, com cenas onde a sexualidade é bastante aflorada. A associação da feitiçaria ao feminino é mantido aqui, mesmo tendo a mentalidade religiosa voltada para o judaísmo.

Há um bocado de elementos que fazem esse lembrar o recente A Bruxa, de Robert Eggers, especialmente na aura mística envolvida. O filme tem uma parte dramática bastante fraca, mas a ação e os elementos de terror são bem desenvolvidos, destoando completamente do restante. As atuações funcionam bem quando a tensão aumento, ainda que o garotinho malvado interpretado por Konstantin Anikienko seja bastante caricato em vários momentos.

Apesar de ser curto, falta um pouco de urgência no longa, e em vários pontos ele soa moroso, como se fosse um veículo numa estrada fazia, com o freio de mão puxado, e isso prejudica a imersão. Ainda assim, A Lenda de Golem diverte, mesmo soando alarmista e sensacionalista na maioria dos pontos centrais de sua história, remetendo um pouco os filmes do cinema de ação francês recente. O longa ao menos desperta a curiosidade sobre o que os irmãos Paz farão no futuro, e embora não seja nenhuma obra-prima, não deixa nada a desejar visualmente para o cinema de ação hollywoodiano atual, com um orçamento bastante menor.

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