Crítica | A Morte de Stalin

Lançado em 2017, ano do centenário da Revolução Russa, A Morte de Stalin é uma comédia, comandada por Armando Iannucci que mostra os últimos dias do político que governou a URSS após a morte de Vladimir Lênin. Curiosamente parte da premissa lembra a de A Queda, filme que mostra os últimos momentos de Adolf Hitler, outra das principais lideranças nacionais da Segunda Guerra Mundial.

Iannucci já havia feito um comentário jocoso parecido em um filme antigo seu, Conversa Truncada, onde ele traz uma história em que Estados Unidos e Inglaterra tem um conflito muito alardeado pela imprensa americana. Depois disso, ele foi um dos principais diretores da comédia política Veep, protagonizada por  Julia Louis-Dreyfus. A questão é que neste novo empreendimento há uma necessidade de em absolutamente qualquer momento desdenhar das figuras que compuseram a vida política soviética em alto escalão

Essa sensação de deboche puro e simples ocorre com um elenco de peso, formado por Olga Kurylenko, Jeffrey Tambor, Steve Buscemi, Tom Brooke, Jason Isaacs, etc. Algumas das piadas funcionam muito bem, com um bocado de influência do humor britânico, como por exemplo quando um dos subalternos de Josef Stalin (Adrian McLoughlin) tenta passar informações através de uma pasta por uma janela, de maneira pitoresca e atrapalhada, mas em outro, pouco tempo depois, se faz piadas escatológicas, com urina. Além disso, os que envolvem Stalin são retratados como homens idiotas, em uma abordagem parecida com a que Seth Rogen e Evan Goldberg fizeram em A Entrevista.

Em determinado ponto se percebe que não há interesse em se discutir quaisquer caminhos ou meandros políticos soviéticos, e sim fazer graça com os personagens famosos do regime, normalmente com comportamentos estereotipados gratuitamente, em eventos que não tem muita graça. É como se esse fosse uma esquete de Monty Python onde os filósofos gregos jogam futebol, mas sem qualquer ironia mais inteligente ou comentário político minimamente embasado. O comentário social é tão distante do real que se dilui demais, quase ao ponto de não fazer qualquer sentido na direção de uma comparação entre realidade e ficção.

O filme, baseado no quadrinho homônimo de Fabien Nury e Thierry Robin não acerta muito em seu humor, uma vez que faz pouco rir e também causa pouca ou nenhuma reflexão sobre os personagens analisados, ao contrário, soam como uma comédia vazia e sem discussões inteligentes.

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