[Crítica] A Morte de “Superman Lives”: O Que Aconteceu?

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Projeto antigo, A Morte de “Superman Lives”: O Que Aconteceu? somente foi finalizado graças a ações de marketing ligadas à colaboração voluntária de espectadores, unicamente movidos pelo desejo de saber toda a verdade sobre a produção de Superman Lives, filme de Tim Burton que jamais viu a luz do dia, e que traria Nicolas Cage com Kal El, o kriptoniano super poderoso e principal super herói da cultura pop norte-americana.

Jon Schnepp começa a narrar os fatos a partir de um monólogo, direto, conversando com o público de maneira incisiva, para logo depois coletar depoimentos de populares e ilustres, dentre eles Grant Morrison e homens do cinema, envolvidos na produção de Superman: O Retorno. Logo de início, revela-se a presença dos vilões Apocalipse – que teria abatido o azulão em A Morte de Superman – o tradicional e Lex Luthor, e a força robô/alienígena Brainiac, que não pôde ser o antagonista de Superman 3.

A obra resgata uma abertura semelhante a dos filmes de Richard Donner e Richard Lester, com recriações da silhueta de Cage caminhando com sua peruca e capa, para logo depois contar com o depoimento de Kevin Smith, a respeito da filmografia do herói. Smith diz em sua entrevista algo interessante, como o desprezo dos mandatários do estúdio com os artistas ligados aos quadrinhos, como se fossem pessoas incautas, que não entendiam a ideia do cinema. A partir dali, começaria uma enorme discussão dele enquanto roteirista, com John Peters, produtor, sobre o que seria o argumento, incluindo boatos sobre ele não poder voar, não usar sua roupa clássica, além de batalhar com uma aranha gigante, sendo alguns desses fatos negados pelo próprio Peters, ao ser indagado por Schnepp.

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Ao se investigar mais, percebe-se que a ideia de Tim Burton dirigir o filme ocorreria bastante tempo após o rascunho do primeiro roteiro. O documentarista visita o diretor, que o recebe em um espaço de sua residência repleto de pôsteres e brinquedos de filmes de terror, onde se percebe a maioria de suas influências obscuras e góticas.

O cineasta revela suas escolhas para o cast, que iam desde a já conhecida e pitoresca escolha de Cage como o último sobrevivente de seu planeta, até Sandra Bullock como Lois Lane, Chris Rock como Jimmy Olsen, além de uma dúvida entre Jim Carrey e Christopher Walken para o papel de Brainiac. A persona de Lex Luthor era cogitada para Kevin Spacey, que acabou por fazê-lo em Superman: O Retorno de Bryan Singer.

As cenas de bastidores, com o ator testando uma das roupas que usaria junto a uma estranha peruca, prenunciam o que poderia ter sido uma tragédia visual imensa. Ao analisar os concept arts, veem-se referências a trajes metálicos negros, todos influenciados pelo vestuário do alienígena nos quadrinhos da época, mas que destoavam por completo da visão clássica vista nos filmes de Christopher Reeve e nos muitos seriados.

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Nota-se no ideal artístico de Sylvain Despretz muita influência do hermético e jamais filmado também Duna de Jodorowsky, com rascunhos bastante ácidos e viajandões, ainda que não se aproximem tanto dos conceitos bolados por Moebius. Ainda sim, o que se nota é muita beleza, e semelhanças com Logans Run (ou Fuga do Século 23). Até a contribuição de Dan Gilroy é analisada, anos antes de seu interessante O Abutre.

A história em torno de Superman Lives é tão repleta de absurdos, que mesmo no filme que o investiga, não há uma resposta certeira sobre o cancelamento. As suspeitas recaem sobre os muitos filmes da produtora, que foram fracasso de bilheteria à época –  entre eles espécimes como Aço e Batman & Robin  – além é claro da excentricidade de Burton, seja nos recentes Marte Ataca e Batman O Retorno, bem como no que se envolveu desta versão de Super Homem.

O lamento de Tim Burton, de que ainda gostaria de rodar o longa, revela um profundo ressentimento, não só dele, mas dos demais preteridos de executar o filme, do que poderia ter sido mais um dos clássicos trash dos filmes de super heróis, junto a Mulher Gato, Lanterna Verde, Liga Extraordinária etc.  A direção de Schnepp não ousa muito, cinematograficamente, e possui alguns problemas quanto ao formato, mas elucida temas que até então eram desconhecidos do público em geral, em especial dos nerds, que são os que o diretor mais tenta alcançar.