Crítica | A Natureza do Tempo

A Natureza do Tempo é um filme de antologia, comandado pelo argelino Karim Moussaoui, que realiza  aqui seu primeiro longa-metragem, sendo este um dos selecionados para a mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes de 2017. Até por ser um filme multifacetado, com mais de um protagonista, claramente o longa tenta traçar um retrato da sociedade do país africano, que sofreu bastante desde a Guerra Civil que acometeu o país nos anos noventa.

Os contos estabelecidos durante as quase duas horas de duração variam muito de qualidade e capacidade de entreter seu espectador. Em uma delas mostra um drama familiar, onde o pai da família adoece e o clã tem de tentar se virar aos seu modo, em outro se mostra um amor proibido entre um casal de identidades e passados muito diferentes, que tem de driblar um estado social conservador para simplesmente dar vazão ao desejo de sucumbir a paixão, além de algumas tramas um pouco novelescas, que envolvem sedução e traição.

As atuações do filme não são ruins, mas o pouco tempo de apresentação de seus personagens de certa forma impede um maior aprofundamento em suas vidas, dramas, inseguranças e afins. Para piorar, ainda há uma tentativa de conflitar gêneros diferentes, tendo inclusive momentos que fazem o filme se assemelhar a musicais.

A Natureza é um filme que mira alto, mas que não consegue estabelecer uma construção coerente para praticamente nenhum de seus personagens, já que a câmera pouco investiga sobre a vida desses, além de não se aprofundar muito nem em passado, futuro ou presente de todos. É um filme sobre o estado de espírito de um lugar, que se vê em uma condição de imutabilidade total, o que é contraditório em relação a proposta do diretor, que parece ser a de querer mudar o quadro em seu país. No resultado final, o que se resgata é quase somente o fato de ser o retrato de uma Argélia nos dias atuais, que tenta sobreviver em meio a um cenário globalizado financeira e culturalmente, e isso é pouco.

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