Cinema

[Crítica] A Possessão do Mal

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A Possesão do Mal - poster

Repetindo a mesma estrutura narrativa de outros filmes do gênero, com câmeras filmadas de maneira amadora, estilo found footage, A Possessão do Mal apresenta poucos elementos inéditos mas se destaca pelo personagem central, Michael King, uma figura descrente de qualquer religião e, por consequência, possessões e outras manifestações diabólicas.

Após perder a esposa em um acidente, King questiona os fatos que levaram à morte da esposa, principalmente devido a um conselho dado por uma cartomante de não realizar uma viagem programada e permanecer na cidade. Questionando-se se existe uma visão superior ou outros planos, a personagem realiza experimentos à procura de contactar espíritos de alguma maneira possível.

Documentando 24 horas por dia, a personagem vai até especialistas diversos à procura de contato, partindo desde referências visuais de objetos que popularmente configuram como assombrações a possíveis iniciados no ocultismo e necromancia. Após estes contatos, King nota mudanças em sua vida, uma falta de controle que cresce cada vez mais sem explicação.

A incredulidade é o melhor argumento desta história, produzindo um personagem reticente, tentando lutar contra essas forças e registrando cada sensação nova, como vozes, manifestações sonoras e outros recursos conhecidos dos clichês de terror. Mesmo sem acreditar em possessões, Michael sabe que está sendo afetado por algo inexplicável. A brevidade do filme e a intenção de sempre promover cenas de suspense ou ação mantêm a atenção do telespectador, mesmo que este reconheça que qualquer estilo dessa fita já foi visto em produções anteriores. Como uma história feita, basicamente, por um único personagem, o público se torna o mensageiro de suas gravações e compartilha a aflição de não compreender as manifestações físicas que aumentam cada vez mais, fazendo-o perder o domínio de suas ações e do próprio corpo.

Não há nenhuma intenção em promover alguma novidade e, talvez pela ausência de tentar qualquer grande narrativa, a história cumpre seu papel com os aspectos primordiais do terror, provocando tensão e susto de maneira eficiente. Não será um filme a ser lembrado a longo prazo, mas ao menos não entrega uma história apática como muitos outros lançamentos do gênero.

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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