[Crítica] A Rede Social

a rede social 572x250 [Crítica] A Rede SocialSempre fui um grande admirador dos computadores e vivi a transição PCs, Blackberries, Internet e agora vivo a web 2.0, ou social web. Sou um daqueles fascinados por tecnologia, Bill Gates e Steve Jobs são os deuses desse ateu. Kevin Mitnick é uma espécie de arcanjo. Larry Page e Sergey Brin são uma espécie de Buda e o Google meu oráculo. E ao contrário de muitos, meu demônio é Larry Ellison

Comecei lá com um XT, passei por diversas máquinas e descobertas em meados da década de 90. Tive meu primeiro acesso há um bom tempo, mas me lembro bem da primeira imagem na tela de um navegador, em 98, um oferecimento de STI internet. Já li livros, filmes, séries, mini-séries com temática de computadores. Sempre gostei mais das grandes aventuras no mundo da informática, com programação como objeto de ação. Todos os filmes com essa temática que mais me agradavam tinham esse ponto principal. As relações humanas estavam ali por um mero acaso, o importante era a descoberta, a invenção.

Dito isso, já vale dizer que não gostei do filme, o que não significa que é um filme ruim. Talvez, inclusive, o motivo seja exatamente o explicado acima. A rede social é um filme sobre pessoas com um background de internet. Assim como o facebook o é. Uma internet  de interação e composição para seres humanos.

Talvez tudo que eu vá citar daqui pra frente também tenha o olhar viciado supracitado. Mas não tem como se desvencilhar disso, inclusive, pra mim, essa é uma grande diferença entre cinema e livros. Na literatura você faz o background conforme a sua vida. Já a imagem que o cinema proporciona é forte demais para se desvincular.

Vou começar do ponto que mais me incomodou no filme todo, o estereótipo exagerado, mas não em função do clichê de utilizar uma imagem padrão para representar determinado grupo de pessoas. Mas em função do papel que esse estereótipo tem no filme. Representando a tão falada Geração X, Y, Z, babyboomers e etc. Acho isso tudo um saco, tem algumas coisas OK, mas no fim, grandes merdas, o mundo continua o mesmo, o que muda mesmo, são só as ferramentas pra fazermos as mesmas coisas. Ou você acha que existe realmente uma grande diferença entre um filme da década de 40 e de hoje? Sim, eu sei que tem uma diferença enorme. Mas tenta fazer o exercício mental de levar uma vida que uma pessoa padrão da década de 40 levava, os materiais e ferramentas que ela tinha, pense um pouco nos conceitos da sociedade e agora pense no impacto de um filme, vai ser muito parecido.

Impossível se transportar? Então não precisa ir tão longe. Pegue o filme Ken Park de 2002, e coloque pra exibição pública em algum país fundamentalista do islã. A reação vai ser mais ou menos a mesma que se transportar no tempo. Ou então toda essa ladainha que eu to falando é uma puta de uma besteira, já que eu não sou especialista nisso. Interprete como você quiser.
Retornando, geração Y é uma merda, não consegue manter o foco. O filme traça na minha opinião, o perfeito estereótipo entre esse choque de geração, que é explorado cada dia mais porque é um assunto que vende, as pessoas, principalmente as mais velhas, são fascinadas por esses jovens geeks que com 25 anos já tem mais sucesso do que muitas delas vão ter, e isso gera um certo desconforto e curiosidade.

Os gêmeos e o outro cara inexpressivo marcam a geração anterior: burocratas, onde o dinheiro é a única possibilidade de se fazer dinheiro. Em que todas as pessoas seguem uma cadeia evolutiva natural, até chegarem no topo. Funcionam como um relógio em perfeita sincronia, um sabe exatamente onde a pá do remo do outro vai estar. Planejadores de primeira, porém, sem nenhum expertise de computadores, linhas de código e o descolamento do mundo real necessário para se trocar festas de faculdade e fraternidades por um computador e uma IDE. Também não são grandes adeptos a riscos e exposição, são cavalheiros de Harvard.

Já Zuckenberg e Saverin, são o perfeito estereótipo da geração Y. Agitados, sem planejamento, preferem a ação e o ver acontecer. Primeiro saem fazendo para depois se perguntarem se era possível chegar a algum lugar. Ou até medir as consequências do que fazem. Na minha opinião o diretor quis levar muito do filme para esse lado, o embate entre gerações, ou entre a velha mídia e a nova mídia, o analógico e o digital. Nomeie como quiser.

Por mais que os “antigos” tentem manter a tradição, a guerra contra os novos já está perdida, e são eles quem realmente mandam agora. Apesar disso não fazer a menor diferença, porque do mesmo jeito que sua geração antiga, gigantes se formam durante a mudança, e por lá permanecem, talvez não tão sólidos por estarem em constante mudança e evolução, mas permanecem. E mantém o mesmo método dos antigos, controle, liderança, monopólio. Mas enfim, nesse post o objetivo não é falar mal do Facebook e o impacto negativo e positivo que ele tem na web.

Além de tudo que citei acima, o embate entre os métodos e pessoas, também é colocado em voga as relações, esse talvez tenha sido o ponto que mais me surpreendeu e que menos gostei. Tudo no filme é desencadeado em função de um estopim de relacionamentos, seja de amizade, seja de amor ou de exclusão de grupos. O filme foi pautado na facebooquização (trocadilho safado com orkutização)do mundo dos negócios. Ele coloca na tela que basicamente que a maior rede social se originou por causa de um pé na bunda. Ok, isso pode até ter sido um pequeno propulsor inicial, mas ficou vazio, diminui a capacidade de uma idéia, de muito trabalho e talento, substitui tudo isso po apenas raiva e egocentrismo: “Quero ser o maior, porque eu estou com raiva e quero mostrar que sou melhor que todo mundo”.

E num desses estopins em função do pé na bunda, pra mim está a pior cena do filme. Em que a namoradinha que esnoba fala que na web não se escreve a lápis, só se escreve a caneta. Porra, tá falando sério que o diretor que fez clube da luta também fez um filme com essa cena. Caralho, que merda! Algum crítico escreveu que é um filme com a internet de pano de fundo, com uma história que tem aspectos de romances como os de  Shakespeare, e escreveu isso falando como se fosse algo necessariamente bom.

A web, a computação, a história de sucesso e todo o escopo que me interessaria num filme desse, foi deixada completamente de lado. Em favor de um filme sobre relacionamento empresarial. Olhando por esse ângulo, o filme faz o que o Facebook fez com a web para as pessoas, humaniza o site que elas acessam. Não é um filme para os nerds da computação.

E agora pra botar a pá de cal, eu acho que você deve ver A Rede Social, porque é um bom filme, bem dirigido, com boas atuações. Infelizmente não me agradou, porque eu esperava outra coisa. Me pareceu o filme do meio de uma trilogia, em que você não tem nem o ínicio e nem o final. Ele gerou esse sentimento justamente porque eu não estava esperando um filme sobre relacionamentos, e sim um filme sobre internet e computadores. Talvez algum escopo de seres humanos e processos judiciais em que o maior problema seria sacar o cheque para pagar o silêncio. Mas se você é um nerd dos computadores, assista Triunfo Dos Nerds, Piratas Do Vale Do Silício, leia os livros do Kevin Mitnick (A Arte De Invadir ou A Arte De Enganar), Livro Dos Códigos, entre muitos mais que tem por aí. Até porque nerd mesmo não tem relacionamento interpessoal, então você vai ter a mesma impressão de merda que eu tive do filme.

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9 comentários em “[Crítica] A Rede Social

  1. @gabizinha
    Nao desamine não, o autor deixou claro que para ele o filme não agradou, não significa que não agrade a outras pessoas. O filme está com uma ótima aceitação da crítica internacional e não se esqueça que David Fincher é um diretor estupendo. Portanto, vá assistir sim e tire suas conclusões…
    Cheers

  2. Essa é uma das piores criticas que eu já li, oq vc escreveu não tem nada a ver com o filme, o filme como vc disse não é sobre tecnologia, é sobre pessoas, ai vc fala de esteriotipos, mas diz se vc é nerd vc tem que ver isso…, vc que esta criando esteriotipos, um nerd pode gostar do drama a comedia, ai procure outra profissão, pois critico de cinema não funciona.

  3. @Jonathan
    Lá vamos nós.
    Pra começar eu não sou crítico de cinema, só gosto de alguma coisa. E de vez em quando de escrever sobre o que eu consumo.
    Primeira coisa, o filme é sobre tecnologia ou pessoas, se você ler o que eu disse, eu estava esperando um filme sobre tecnologia. Mas NÃO É. E não me agradou em função disso.
    Se você prestar atenção também, o que eu digo no texto, é que o que me incomoda não são os estereótipos, e sim, o papel que eles desempenham na trama. Mas parece que você não entendeu.
    Inclusive durante o texto. Eu brinco com esses esse clichê de classificação de grupos, mas pelo visto você não entendeu também.
    Outra coisa, eu gosto de tudo isso que você falou, comédia, drama. Mas nesse filme não é o que eu esperava, tal qual em wall street 2. Se você foi ver wall street 2 esperando pelo draminha, se deu mal parceiro, porque é uma merda. Eu queria ver era o Gecko destruindo com todos os “chickens” de Dow Jones.
    No mais obrigado pelo elogio, pelo menos eu sei que eu não errei escolhendo não ser crítico de cinema :P
    Só pra constar, eu não posso fazer indicação de filmes e livros? Ou isso você me permite?
    Um abraço.

  4. Eu entendi oque você quis dizer, só não concordo com sua avaliação, você deve julgar o filme pela arte dele e não por expectativas, por isso eu não leio sinopses ou qualaquer coisa antes de assisti o filme, fui assisti Rede Social pelo David Fincher e não por ser sobre o facebook, que acabei fazendo minha conta depois de ver o filme, o filme é muito bom sim, não é um clube da luta do fincher, mas está num nivel elevado, não acho que o filme seja uma critica, só o simples prazer de fazer cinema, contar uma historia, não precisa de moral, não é um feel good movie, não é pra ter emocionar, talvez voce ria, tbm não é um filme de tecnologia,é a apenas um periodo de vida de um cara, é nisso o filme foi perfeito, a perfeição vem da simplicidade.

  5. @jonathan
    Tranquilo. Pelo seu primeiro comentário parecia que você tinha apenas dado uma lida por cima. Visto que eu não gostei do filme. E vamos esculachar.
    Agora com seu ponto de vista eu posso fazer um comentário menos irônico e dar a razão pra vc. Mas o que não me faz tirar minha própria razão.
    Eu até concordo com o seu ponto de vista. Que eu não devo tirar conclusões do filme de acordo com a minha expectativa. Mas ainda assim, acho que isso se aplica a um crítico de cinema. Que como eu já disse antes, eu não sou e nem tenho a pretensão. Inclusive esse texto, é muito mais um ponto de vista, do que uma resenha em si.
    Mesmo assim eu não mudo minha opinião. Ainda disse que o filme é muito bom. Bem dirigido, boas atuações. Porém eu continuo não gostando. Principalmente pelo modo que o diretor usou suas metáforas. E o modo com o que ele conduziu as passagens e evolução do filme. Vou até citar o ponto que mais me incomodou mesmo. Que foi o fato de tudo na vida do Zuckenberg, ter sido movido por um estopim “social”.
    Eu tenho um outro ponto também, eu até acho que o cinema deve ser analisado só o filme, sem interferencia externa. Mas no momento em que você escolhe um ícone da nossa sociedade moderna pra fazer um filme. Dificilmente conseguimos nos desvencilhar disso e encarar aquele filme apenas como uma história fechada contando um pedaço da vida de uma pessoa.
    Se você consegue cara, parabéns, você está a anos-luz a minha frente.
    Eu no momento em que eu fiquei sabendo que sairia um filme sobre o facebook, eu não precisei ler nem 1 sinopse pra criar a expectativa. Talvez se eu tivesse lido antes de assistir o filme. Já iria preparado para um filme diferente. E teria apenas tecido elogios.
    No mais cara, cada um com sua opinião e debatendo que é a melhor coisa que podemos fazer. Afinal cinema, como forma de arte, serve justamente pra isso. Debate e discussão.

  6. @rafael
    entendo o seu ponto de vista, o cinema é bom tbm nisso, a discussão, expor seus agurmentos, não sei se vc viu o filme Obrigado por fumar, mas ele fala que em uma discussão vc nunca vai estar errado se tiver um bom argumento, acho que o meu argumento é bom o seu tbm é bom, como a ellen drive fala pra a noiva em kill bill que não gosta dela mas não significa que não a respeite, eu respeito sua opinião, isso já acontecu comigo tbm, por exemplo não gosto de senhor dos aneis mas o filme é bem dirigido e tudo, só que aquele tema não me interessou.
    A rede social é um dos melhores filmes do ano junto com a Ilha do Medo e A Origem.

  7. A interpretação de Jesse Eisenberg é muito boa, embora não tenha ganhado o Golden Globe. Vibrei quando ligam pra casa do responsável pela segurança de Harvard se não me engano e dizem que está tendo uma anormalidade de movimentação na rede. Ele então pergunta: ‘ Anormal pra quatro horas da manhã? ‘ E obtém como resposta: ‘ Não, anormal pro intervalo do Superbowl’. Rolei de rir nessa cena. As respostas bem sacadas de Mark também são incríveis.

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