Critica | A Terra Negra dos Kawas

De Sérgio Andrade, A Terra Negra dos Kawas é um filme que utiliza variações dos mitos indígenas brasileiros como base para contar sua história com elementos fantásticos. Rodado na Amazônia, ele começa com dois trabalhadores brancos perguntando na porta de uma propriedade se eles tem água. Uma senhora os atende, seu modo de andar é sereno e as portas do sítio se abrem sozinhas, de maneira um pouco estranha, mas ainda assim eles aceitam a cortesia dela, e começam a rir logo depois de beber o líquido.

A reação dos dois é bastante estranha, mas o filme não dá tanta atenção a isso naquele momento, em lugar disso, mostra dois micro universos, um de brancos cientistas estudiosos, e outro de nativos que praticam ritos e que de sua própria forma, estudam as propriedades do locam onde habitam e da terra preta que pisam e que de vez em quando consomem.

A colisão dos mundos se dá basicamente por conta das estranhas substancias presentes na tal terra negra. Ao ser analisado  pelos personagem de Marat Descarts, Felipe Rocha e Mariana Lima evidenciado que o índices de PH da terra nunca foram vistos, e que cientificamente há algo diferente ali, de fato.

Na aldeia dos nativos há encontros com outros refugiados, haitianos e se discute uma ligação dessas terras com as do Haiti, as mesmas responsáveis por inúmeros contos de zumbis, inspirando até George A. Romero. A terra é sagrada para os Kawas, e quando a personagem de Severiano Kadassare (simplesmente deslumbrante no filme) mostra o poder transcendental da terra para o personagem de Rocha ele fica ébrio, e ele acha que é bom mostrar para outras pessoas, mas é impedido pela nativa, pois o povo não quer partilhar e não pode partilhar aquilo de maneira globalizada.

A mensagem por trás do  roteiro de Andrade é de que aquele conhecimento sagrado não é egoísmo, e sim preservação, e essa postura é correta, pois o homem branco tem mesmo a mania de predar inclusive o que ele não entende, e a questão dos Kawas também tem a ver com refugiados, pois eles também saíram de sua terra original, e não se sabe se substância arenosa veio ou não com eles, e esse mistério talvez seja a maior riqueza do filme.

A questão mais surrealista de A Terra Negra dos Kawas é muito boa, o final peca um pouco por se perder na mentalidade hiper conciliadora entre os povos estranhos que são mostrados, mas a mensagem prossegue forte, em meio aos alucinógenos  que super expandem a mente e sensações e claro, os tambores e risos.

Facebook – Página e Grupo | Twitter Instagram | Spotify.