Cinema

Crítica | A Vida dos Peixes

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"Está tarde. Preciso ir embora" é o que o personagem Andrés (Santiago Cabrera) diz assim que o filme se inicia. Nosso protagonista mora em Berlim a 10 anos e escreve para uma revista de turismo. Voltou ao Chile para resolver algumas pendências antes de se instalar definitivamente naquele país e resolve passar na festa de aniversário de um dos seus amigos de infância. Desde o momento que ele diz ir embora somos levados a nos aprofundarmos no cerne do passado do personagem e todos os sentimentos inerentes a ele.

Caminhando pela casa vagarosamente, cada passo que Andrés dá com o intuito de ir embora daquele local é uma pontada de dor em seu coração, pois o reencontro leva à tona os sentimentos de nostalgia e saudade das boas lembranças do passado, os quais também estão relacionados com uma certa sensação de despedida, já que o passado apenas permanece nas lembranças.

Nos momentos em que Andrés encontra sua antiga paixão Beatriz (Blanca Lewin) é quando os olhares e diálogos se tornam cada vez mais profundos. O personagem se depara questionando sua vida solitária e sem muitos laços que leva, sabendo que ainda ama Beatriz e pensa como teria sido se eles tivessem seguido uma vida juntos. O personagem trabalha tendo que pensar como um turista e acaba se tornando um na sua própria vida, pois acaba não sabendo lidar com seu passado que está diante dele. Tal qual peixes dentro de um aquário, todos acabam presos dentro de aquários que são formados pelas vidas que cada um construiu.

Longe de ser um filme monótono, A Vida dos Peixes se trata de entrar em sintonia com sentimentos, que são muitíssimo bem transmitidos pelos atores do filme, cujos olhares são profundos e intimistas. Mérito também à forma como o filme foi conduzido pelo diretor Matías Bize e pelo seu roteiro, composto por diálogos sinceros e melancólicos juntamente compostos pelos quadros contemplativos que ressaltam apenas os rostos das pessoas e suas expressões. A trilha sonora combina perfeitamente com a atmosfera e não a deixa sobrecarregada demais.

A Vida dos Peixes é apaixonante. Sua atmosfera é melancólica, cheia de silêncios, olhares e suspiros que dizem mais do que qualquer coisa que eu poderia dizer.

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Texto de autoria de Pedro Lobato.

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