Crítica | Aconteceu no Natal do Mickey

Lançado ainda na época do VHS para o mercado de home video mundial em novembro de 1999, Aconteceu no Natal do Mickey logo se tornou um clássico natalino das locadoras. A fita em animação tradicional apresentou três curta-metragens estrelando os personagens clássicos da Disney em contos de natal, não relacionados entre si.

O primeiro curta apresenta uma história ao estilo “dia da marmota”, na qual Huguinho, Zezinho e Luisinho desejam que todos os dias sejam natal e se veem presos num eterno 25 de dezembro. Os sobrinhos do Pato Donald parecem menos maduros do que suas versões em Duck Tales, de 1987, com suas personalidades assemelhando-se muito aos primeiros curtas em que aparecem. Os garotos aproveitam que já sabem tudo o que vai acontecer durante o dia para aprontar as maiores confusões, principalmente quando o natal diário se torna entediante. Ao fim, como seria de se esperar, aprendem uma grande lição sobre a importância da família. Interessante notar que, na reunião de família, Tio Patinhas surge com um visual mais parecido com sua versão original, com as suíças grisalhas, embora sua personalidade seja muito mais carismática do que o habitual. Também nessa reunião aparece uma tal “Tia Gertie”, que não aparece em mais nenhuma animação ou história em quadrinhos. Seu visual lembra muito a Madame Patilda da série clássica de Duck Tales, embora aparente ter bico de ganso e não de pato – talvez seja do lado da família do Gansolino? – e serve apenas ao propósito da história.

O segundo curta apresenta Pateta e seu filho Max, em um conto familiar mais intimista, no qual as angústias da infância e as incertezas da vida adulta se chocam. Max, mais novo do que sua versão na série A Turma do Pateta (de 1992), começa a duvidar da existência do Papai Noel quando seu vizinho Bafo de Onça tira suas esperanças de ganhar presentes no natal. Pateta, atrapalhado como sempre, faz de tudo para que esse seja um natal inesquecível, e parece legitimamente acreditar na existência do Bom Velhinho e quer prová-la ao seu rebento a  todo custo ao mesmo tempo que lhe ensina a importância da caridade ao ajudar os menos favorecidos a ter uma ceia de natal. O curta apresenta uma breve aparição dos Irmãos Metralha, além de vários easter eggs do universo Disney.

O último curta é estrelado pelo Mickey Mouse em pessoa, reprisando mais uma vez o papel de garoto pobre com bom coração. O camundongo pretende presentear sua namorada Minnie, mas toma um duro golpe de seu chefe Bafo de Onça (em sua segunda aparição na coletânea, porém com um visual diferente) e passa todo o episódio tentando arrumar um jeito de comprar uma corrente para o relógio dela. Ao final, mesmo conseguindo comprar a corrente e ganhando também um presente da amada, acaba sendo frustrante. Esse que deveria ser a cereja do bolo da fita acaba sendo o menos inspirado, talvez devido à personalidade insossa do protagonista que, na virada do milênio, ainda não havia encontrado uma maneira de se reinventar.

Aconteceu no Natal do Mickey não é uma obra-prima como O Natal do Mickey Mouse, de 1983, mas ainda assim diverte e emociona, e pode ser apreciado ainda hoje pelas crianças, que substituíram as locadoras pelos serviços de streamming.

Acompanhe-nos pelo Twitter e Instagram, curta a fanpage Vortex Cultural no Facebook, e participe das discussões no nosso grupo no Facebook.