[Crítica] Aliados

A carreira do diretor Robert Zemeckis tem sido de altos e baixos, em especial nos últimos anos, onde tem colecionado críticas mornas sobre seus lançamentos, em especial O Voo e A Travessia. Seu novo filme, Aliados, tenciona misturar um romance proibido com uma trama de espionagem, levando em conta produtos canônicos do cinema hollywoodiano como referência, em especial Casablanca, inserindo alguns elementos de teoria da conspiração em sua fórmula.

A história segue os passos de Max Vatan (Brad Pitt), um militar que é designado para ir em Casablanca, Marrocos, assassinar um embaixador nazista. Para isso, ele precisa fingir ser o esposo do disfarce de Marianne Beausejour (Marion Cotillard), uma bela mulher que já está no país africano há algum tempo. Após muito resistir, os espiões decidem– mesmo com as reprimendas do superior de Vatan, Frank Heslop (Jared Harris) – se casar, tendo uma filha pouco tempo depois, com o oficial se tornando então um funcionário burocrático do exército, num período bastante próximo à Segunda Guerra Mundial.

Toda a sequência em meio a missão dada é na verdade um despiste, um mcguffin que serve para introduzir o espectador no amor embrionário dos protagonistas, contendo algumas poucas belas cenas, no deserto onde finalmente os dois se relacionam pela primeira vez, seguidas de uma cena de ação bem construída. A vida nova do casal só começa após mais de quarenta minutos, onde a história se desdobra como um entreatos de uma peça teatral. A partir daí a rotina dos apaixonados é entre uma missão e outra, em meio a processos ordinários da vida comum de um casal, incluindo uma cena de parto bastante criativa, que beira o inverossímil.

A questão central é o drama desenrolado na segunda metade do filme, que inclui uma dúvida cruel para Vatan que o faz perseguir desesperadamente o que lhe incomoda. Nesse ponto, a qualidade do texto decai demais, baixando ainda mais o patamar de qualidade que não era tão alto até esse momento. A tentativa de criar um thriller eletrizante esbarra na incapacidade da direção em gerar suspense.

O elenco vasto de grandes atores não ajuda no resultado final. A química entre Pitt e Cotillard é irregular, soando forçada de início e melhorando um pouco já próximo de seu desfecho. Ao menos o final consegue causar emoção em quem vê, aspecto esse não corriqueiro dentro dos 124 minutos de exibição. Aliados tinha um potencial para ser um bom romance/drama de guerra, mas esbarra em uma narrativa morna e incapaz de criar um bom suspense.