Crítica | Ama-San

O começo de Ama-San, novo longa-metragem da portuguesa Claudia Varejão é lúdico, com uma narração que explica um pouca da mitologia japonesa a respeito dos mergulhos sagrados que ocorriam nos  seus mares. O documentário toma como base a rotina de Mayumi Mitsuhashi, Masumi Shibahara e Matsumi Koiso, o trabalho das três e de tantas outras é o de mergulhar nas águas perigosas do país atrás de ostras, algas e pérolas, normalmente ao meio dia, que é um horário onde a luz consegue invadir as águas para iluminar o caminho dessas.

Varejão faz um filme cuja abordagem foge do formato mais catedrático de cinema, quase não tem partes faladas, não se mune de entrevistas e é acompanhado das imagens dos mergulhos, com tomadas embaixo d’água muito bonitas, com as mulheres arriscando suas vidas em meio a um cenário inexplorado.

O longa tenta dar uma grande importância as mulheres, e claramente elas fazem um esforço hercúleo para realizar o árduo trabalho que lhes é conferido, mas é demasiado longo e arrastado na maioria dos pontos. Varejão não consegue dar um ritmo bom a trama que expõe e não é incomum a sensação de enfado em meio ao público. Se há historia ali para quase duas horas de filme – ele tem longos 112 minutos de duração – a montagem não demonstra isso, e mesmo a curiosidade do espectador mais interessado pelo assunto se esvai em meio a tanta enrolação.

Em alguns pontos a carga emocional soa forçada, não graças as personagens biografadas, mas sim a mão pesada da direção, que além de não ter muita coragem para eliminar as gorduras em meio ao material bruto que tinha em mãos. A alma de Ama-San demora a ser encontrada e só aparece de fato no final, quando se anuncia o desfecho do arco das personagens.

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