Crítica | Amador

Amador, de Ryan Koo começa cheio de ternura, mostrando movimentações de basquete de uma criança, batendo bola em quadra, para logo depois trazer uma montagem desse tipo durante a adolescência até a fase juvenil. Trata-se de Terron Forte (Michael Rainey Jr), um garoto que tem aspirações em relação a se tornar jogador de basquete profissional, mas carece de foco. Em uma aula de matemática, um garoto pergunta quais as probabilidades de um garoto jogar na NBA, e é nesse momento que ele percebe o quanto é difícil ser escolhido no sistema de draft, e ele passa a pensar nisso, mesmo que todos os seus desejos e sonhos sejam voltados para isso.

Ao mesmo tempo em que Terron acredita que se tiver dedicação total ao esporte, ele brilhará, ele tem receio de repetir a historia de fracasso do seu pai, pai, Vince (Brian J. White), que atualmente, tem de trabalhar em dois empregos para sustentar a sua família, e muito disso ocorre por ele ter tentado a carreira no desporto e não ter se preparado mais. Esse receio habita o inconsciente do rapaz, que se sente inseguro apesar das inegáveis qualidades dele, e é reforçado por sua mãe, Nia (Sharon Leal). Para agravar todo o drama, ele tem dificuldades nos estudos, por conta de um problema cognitivo e de visão, não conseguindo enxergar os números como alguém plenamente saudável.

O jogo de Terron é fluido, quando ele começa a se movimentar a câmera  entra em slow motion, e seu jingado atrai os olhares até dos jogadores mais velhos e do técnico adversário. Mesmo perdendo o jogo, ele comemora o fato de ter mais de 50 mil visualizações na internet, e pelo que ele vive, isso é um mérito, afinal gravar e editar vídeos é algo importante para a família Forte, que se baseia estatísticas e em super exposição para fazer o jogo do protagonista fluir.

Depois de muito deliberar, ele aceita o convite de Treinador Gaines (Josh Charles) para ir jogar na Bishop Anthony, uma escola diurna, onde ele completaria seus estudos e – supostamente – teria mais oportunidades de melhorar seus atributos e suas chances de ascender a NBA. Terron passa a jogar como armador, e não é mais unanimidade, tem dificuldades para jogar, fica no banco e é facilmente bloqueado, além disso ele tem que lidar com jogadores veteranos que praticam bullying com ele. Neste trecho há um forte de clichês dos filmes de esporte, mas aqui, funciona bem e serve bem ao propósito do filme, de ser algo inspirador para jovens, ou ao menos brincar com esse preceito.

A lição que o protagonista aprende, com Anton (Ashlee Brian) é que eles não jogam para as universidades, para a torcida, nem para a NBA ou para os treinadores, e nesse ponto, o filme de Koo lembra um bocado High Flying Bird, lançado um ano depois por Steve Soderbergh, também pela Netflix, ainda que o cunho desse seja mais interno e mais focado no jogador que nos bastidores.

Terron percebe que está sendo usado, e a forma como ele reage a isso é igual a postura dele com quase todas as coisas. É curioso como o filme utiliza uma prática comum e atual de se auto filmar para mostrar ele tentando aprender  e também para basicamente subsistir. O final de Amador é um bocado piegas, extremamente otimista e sem garantias de que dará certo, e apesar desses problemas mostra os bastidores sujos do esporte e não poupa o espectador.

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