Cinema

[Crítica] American Ultra: Armados e Alucinados

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American Ultra - Armados e Alucinados - poster

Desde 2014, quando este projeto foi anunciado, parecia evidente que American Ultra: Armados e Alucinados seria um típico produto desenvolvido como teste para o carisma de dois atores em ascensão que haviam trabalhado juntos anteriormente: Kristen Stewart, destacada pela saga Crepúsculo e Jesse Eisenberg, de boas produções como Zumbilândia e A Rede Social e agora catapultado a astro devido ao vindouro Batman e Superman: Alvorecer da Justiça.

Do mesmo roteirista de Poder Sem Limites, um interessante filme sobre poderes heroicos na vida real, e do recente Frankenstein, a produção é uma colagem que intenta satirizar o universo da espionagem através de uma paródia de ação, uma proposta semelhante a de Kingsman – Serviço Secreto. Na trama, Mike Howell é um jovem pacato que trabalha em uma loja de conveniências sem saber que, na verdade, é um agente da CIA mortalmente treinado. Quando uma operação decide matá-lo, o jovem é reativado para descobrir os responsáveis pelo fato em companhia de sua namorada depressiva.

Tentando uma proposta cômica dentro de uma narrativa comum com clichê repetidos em diversos filmes de ação, falta uma credibilidade mínima para que se veja a história como uma paródia e não como um produto mal executado. Eisenberg entrega seu personagem costumeiro entre falas rápidas, pouca expressão facial e um estilo verborrágico que caracteriza um papel deslocado. Não há nenhum carisma ou credibilidade que sustente o passado de agente federal do jovem. Mesmo que algumas cenas sejam bem coreografadas, a falta de porte físico ou traquejo técnico para o ator não lhe dá segurança de que, um dia, foi um homem treinado para o combate e muito menos produz riso por seu estilo desajeitado. Ainda que, mesmo assim, algumas cenas que parodiam o exagero de filmes de ação sejam eficientes de qualquer maneira.

Além da ausência de credibilidade do ator principal, o roteiro também incomoda quando explora o passado do agente da CIA. As personagens são caricaturais ao extremo, e os intérpretes nem parecem acreditar em si. Há certos momentos que a trama mais parece um filme juvenil de Sessão da Tarde devido a situações inverossímeis e bobas. Porém, esta não é a intenção da paródia, o que prova um desalinho geral da produção, como se não houvesse um trabalho melhor no roteiro para que a sátira fosse bem produzida e equilibrada, desenvolvendo, ou tentando, um estilo próprio.

Kristen Stewart, que aparece dividindo os cartazes com o outro personagem, pouco aparece em cena, sendo Mike o verdadeiro personagem central. Quando a ação engrena e o casal poderia se juntar e promover boas cenas de ação, seu papel é submetido a mocinha em perigo, perdendo uma boa oportunidade de colocar dois atores fora do mundo de ação para executar cenas do estilo.

Sem saber exatamente o que o filme tenta parodiar, a produção repete os clichês habituais de maneira incômoda e insossa. Nos Estados Unidos, estreou em sexto lugar nas bilheterias e foi a estreia mais fraca da semana, ficando atrás de A Entidade 2 e Hitman – Agente 47. Sua bilheteria arrecadou pouco mais de 50% de sua produção, um fracasso notável e coerente com uma obra comum e sem nenhuma identidade.

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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