[Crítica] Amityville: O Despertar

Depois de uma infinidade de adaptações para o cinema e para a televisão, é a vez de Franck Khalfoun dar à luz a mais um conto de casa mal assombrada presente na lenda em torno de Amityville. Em Amityville: O Despertar as escolhas dramáticas levaram a trama para uma tentativa de estabelecer metalinguagem com todos os episódios anteriores da franquia, servindo não só como uma história inédita, mas também como uma espécie de greatest hits, que reúne momentos importantes dos outros episódios.

A família de Belle (Bella Thorne) se muda para a casa onde aconteceu um assassinato. A família é composta pela bela protagonista – que inclusive é posta em trajes sumários o tempo inteiro – por sua mãe Joan (Jennifer Jason Leigh), sua irmã mais nova Juliet (Mckenna Grace), e por fim, seu irmão gêmeo convalescente, James (Cameron Monaghan), um menino catatônico e deformado.

O início da trama mostra o velho clichê da moça nova na cidade que através de seu charme, chama a atenção de outros jovens. O agravante com Belle envolve sua casa, considerada pela maioria dos habitantes da cidade, como um lugar maldito. A região parece isolada de toda a modernidade comum ao mundo atual, não à toa, o uso da da forma como o novo filme se relaciona com anteriores se dá por meio de DVDs. Os jovens curiosos decidem ver um dos filmes na tal residência amaldiçoada, e uma das piadas do roteiro se refere ao filme de 2005, Horror em Amityville, protagonizado por Ryan Reynolds, como um objeto ruim. Além do comentário irônico não soar bem, visto que a qualidade do novo filme é bastante inferior a versão de 12 anos atrás, ainda se agrava pelo fato deste ter cenas identicamente copiadas da outra versão. A ironia se perde em nome de uma piada fraca.

É estranha a escolha de Khalfoun para a direção, uma vez que seus filmes anteriores, como P2 – Sem Saída tem um horror explícito nas questões de violência. Esse Amityville foge um pouco da fórmula, embora seu final tenha uma quantidade de violência gráfica bastante satisfatória, a aposta se dá nos sustos fáceis, o que torna a experiência do espectador algo bastante cansativo.

O roteiro é repleto de clichês do sub-gênero casa mal assombrada e possessão demoníaca. O motivo da mãe escolher ir para aquela casa se mostrava evidente há pelo menos quarenta minutos antes da revelação ocorrer. A obviedade mata qualquer possibilidade de empatia, e é bastante complicado analisar as situações dramáticas, já que elas não permitem muitas nuances nas atitudes de Monaghan e Leigh, restando apenas a protagonista as curvas dramáticas interessantes, no entanto, essas acabam executadas de modo preguiçoso, faltando carisma a heroína.

Amityville: O Despertar mira numa proposta de ser o Pânico de sua época, tentando ser explicativo no filão de filmes de poltergeist assim como o jovem clássico de Wes Craven foi para os slasher, mas falta maturidade ao texto e importância a trama. Todo o potencial é brutalmente desperdiçado, e a possibilidade de se ter uma continuidade na franquia se mostra quase nula graças aos insucessos desse novo longa.

Acompanhe-nos pelo Twitter e Instagram, curta a fanpage Vortex Cultural no Facebook, e participe das discussões no nosso grupo no Facebook.