[Crítica] Amizade Desfeita

Amizade Desfeita 1

Começando como um arquivo em vídeo em formato web que parece não estar totalmente funcional, Amizade Desfeita é um longa-metragem de terror dirigido pelo cineasta da Georgia Leo Gabriadze, que depende bastante do seu formato como conversa da internet para funcionar. O mote do roteiro se baseia na invasão de privacidade e evasão de informação pela Internet.

O início do filme mostra conversas de adolescentes via skype, primeiro de um casal se desnudando na frente um do outro, para depois tornar-se uma vídeo-chamada em grupo, onde seis adolescentes falam sobre as bizarrices escolares, focando especialmente no caso de Laura Barns, uma menina que teve um vídeo íntimo vazado e que se matou após isso. Aparentemente os perfis de redes sociais dela foram hackeados, o que causa furor em meio aos adolescentes, piorando quando percebem que seu avatar no Skype está na conversa, e quando fotos privadas dos mesmos começam a cair nas redes sociais abertas.

Aos poucos a situação se agrava, com o desaparecimento dos jovens um a um, e um mistério que consegue driblar inclusive a vigilâncias das webcams que estão sempre ligadas. Problemas técnicos de má conexão ajudam a manter a aura de suspense acesa e cenas grotescas e violentas ocorrem, vitimando os juvenis bem ao estilo dos slasher movies.

Com o decorrer do longa, a confiança dos amigos começa a ser minada entre eles mesmos, através de uma temática baseada no falso moralismo e no conservadorismo que supostamente não deveria estar no comportamento deles, mas que se torna gritante diante dos segredos descobertos. O stress causado pelas revelações joga os rapazes  em um nível de passionalidade absurdo, algo que é agravado pela abordagem semelhante a de Jogos Mortais.

Amizade Desfeita é um filme que depende fundamentalmente de seu formato para ser certeiro, se valendo de uma fórmula bastante barata, que se apropria de uma história simples e que não precisa sequer de muito aprofundamento nos personagens, já que se utiliza apenas de arquétipos.

A gravidade não está no filme em si, mas na possibilidade de se tornar uma franquia como a de Atividade Paranormal, onde basicamente se reciclam os mesmos elementos rumo a eternidade, sem nada a acrescentar, nem a proposta e nem ao ideário de filmes de horror. A produção é um exercício de suspense interessante de Grabiadze, com um frescor que está bastante em falta no cenário de terror mainstream atual.