Cinema

[Crítica] Amor Sem Fim

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Amor-sem-Fim-2014

Após a morte de um membro da família, vítima de câncer, a família Butterfield permanece em luto eterno. A jovem Jade (Gabriella Wilde), protegida pelo pai, não possui nenhum amigo e, em sua formatura do colégio, permanece isolada. Sem espaço para improvisos, o patriarca deseja um futuro brilhante para a filha, acompanhando sua carreira médica de sucesso. David Elliot (Alex Pettyfer) é um tímido garoto que, durante anos, estudou com Jade sem que ambos conversassem um com o outro diretamente. Após a formatura, a garota vai ao mesmo restaurante em que David trabalha como vallet e, assim, surge a fagulha do amor.

Amor Sem Fim reconta a história da produção oitentista estrelada por Brooke Shields. Porém, nesta nova versão, a trama parece fora de sincronia com o presente. A princípio, as personagens de Jade e David se diferenciam pelo histórico familiar, estabelecido de maneira evidente pelo pai da garota, educado formalmente e abastado, em contraposição ao do garoto, dono de uma oficina mecânica e formado no estilo trabalhador braçal. Porém, em nenhum momento as realidades são um empecilho para a relação do casal.

A ausência de um conflito inicial no roteiro, que se apoia em demasia em uma história desenvolvida em época diferente da atual, faz da trama inverossímil. Em trinta anos que separam as versões, a concepção de família foi modificada, e os pais, embora desejassem um futuro brilhante a seus filhos, não são capazes de segurá-los com rédeas castradoras. Além deste pequeno imbróglio temporal, a personagem de Hugh (Bruce Greenwood), pai de Jade, o suposto antagonista do romance, parece um homem duplo que inicialmente aceita o garoto, perguntando-lhe seus planos sobre o futuro, e somente em um segundo momento age para evitar que a história aconteça. Mas até o impasse, a relação – e o amor consequente – estão fundamentados.

Sem o conflito composto de maneira adequada em um roteiro incapaz de adequar-se às mudanças naturais da sociedade, o romance perde a força e não consegue se destacar também fora das telas, quando outras produções de maior apelo – como A Culpa é Das Estrelas, cuja estreia foi realizada no país uma semana antes – estão em concorrência direta com a obra.

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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