Crítica | Anna Karenina

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Joe Wright é famoso por suas adaptações literárias: nos últimos anos ele dirigiu Orgulho e Preconeito, Desejo e Reparação e agora Anna Karenina.

Adaptado do clássico de Tolstoi, o filme conta a história de Anna, uma mulher casada da alta sociedade de São Petersburgo que se apaixona por um jovem militar e acaba sendo levada a ruína. O romance se estende por mais de 800 páginas e é quase um tratado sobre o amor, a felicidade doméstica e os costumes da Rússia do século XIX.

O primeiro acerto de Wright é abandonar essas pretensões e condensar a história: ele reduz ao mínimo a importância dos personagens secundários e das histórias laterais e se foca na relação de Anna e Vronsky. Uma sensualidade explícita, ausente do original, e o bom trabalho de atuação dos protagonistas confere intensidade ao que já é uma das histórias de amor mais emblemáticas da literatura mundial.

Na verdade, boa parte da eficiência do filme se deve a adequação dos atores: embora nenhuma atuação seja excepcional (talvez o maior destaque seja para Aaron Taylor-Johnson como Vronsky) eles encarnam bem seus personagens e aquilo que eles representam na história.

Além do foco no casal principal, Wright torna Anna Karenina mais adaptável ao abrir mão de qualquer naturalismo. A trama se passa em um palco e a movimentação dos atores é teatral e coreografada. Não se trata mais de uma análise da natureza humana ou uma investigação sobre o casamento, é uma história de amor, épica, trágica e fantástica. Essa impressão é reforçada pelos figurinos e pela direção de arte, que criam uma Rússia quase de contos de fadas, uma terra distante, fria e maravilhosa.

No entanto, por mais que o diretor se esforce em fazer a narrativa caber no filme, Anna Karenina tem problemas de ritmo: a ação é corrida e a narrativa acaba cheia de pontas soltas. A rapidez também acaba tornando raso o desespero final da personagem e seu suicídio parece quase gratuito.

No final, Anna Karenina é um bom filme e uma boa adaptação, Wright confia em seus atores e na riqueza visual e tenta contornar as nuances psicológicas (que são justamente o problema em seu Desejo e Reparação). Não é uma obra prima, mas é uma história de amor bem contada, intensa e comovente e um filme visualmente impressionante.

Texto de autoria de Isadora Sinay.