[Crítica] Ano 2003: Operação Terra

Continuação de Westworld – Onde Ninguém tem Alma, mas sem o retorno de Michael Crichton, que dá lugar a Richard T. Effron, conhecido por seus trabalhos em Curva da Morte e Um Outro Amanhecer, além de futuro diretor da série V – A Batalha Final. O ponto de partida de Ano 2003: Operação Terra são as sobras do parque Delos, o mesmo onde ocorreu o massacre de visitantes. A tentativa de reconstrução da empresa é vista a partir dos olhos jornalísticos do repórter pouco popular Chuck Browning (Peter Fonda) e Tracy Ballard (Blythe Danner), que é uma entrevistadora bastante famosa. O intuito de convidar a dupla era a de afastar rumores sobre a insegurança do local.

O nome original do longa é Futureworld, e é nesse cenário que abraça o futuro que moram os novos dramas apresentados. O ambiente de velho oeste é deixado de lado, para apresentar um parque multi-temático comum, com brinquedos comuns e que envolvem autômatos. Mesmo o simulador de boxe acompanha uma dupla de androides, presos em uma caixa, obedecendo os controles de luvas que funcionam como joysticks.

A investigação dos jornalistas os faz perceber via discurso que até os cientistas programadores são também mecânicos, já que segundo os relatórios, o caos em Westworld ocorreu graças a uma falha humana. Essa falta de pessoalização soa como uma tremenda teoria da conspiração, e obviamente os dois passam a averiguar com mais atenção e afinco a situação proposta. O grande problema é que a transição da suspeita para a comprovação de que está sendo posto em prática um plano sórdido é demasiado rápida, sem um aprofundamento maior do que deveria ser o principal ponto de discussão.

A trama rocambolesca poderia ter soado melhor, uma vez que a premissa de substituição das figuras políticas importantes por androides da corporação não é ruim, mas o modo como é executado beira a infantilidade. A participação especial de Yul Brinner é gratuita, não faz diferença alguma para a trama em si. A dupla formada por Fonda e Danner não tem química ou carisma, não causando no público nenhuma comoção pelos perigos que sofrem. Os momentos finais são pontuados por uma provocação típica das séries do ginásio, com Browning provocando seu antagonista, o que resulta em uma lástima, já que Futureworld poderia ser interessante independente até de seu original.