Crítica | Antes Que Eu Me Esqueça

Antes Que Eu Me Esqueça é um drama familiar, envolvendo o senhor Polidoro, ex-juiz de 80 anos que é encarado por uma das filhas como senil e incapaz de gerir a própria fortuna. Essa possível herdeira entra com um processo de interdição, para conseguir os espólios antes de sua morte, no entanto, a lei exige que seu outro filho, Paulo, testifique a favor da irmã, e assim, pai e filho têm de travar contato novamente, assistido é claro por uma testemunha, a advogada Maria Pia (Mariana Lima).

José de Abreu e Danton Mello vivem uma relação bastante conflituosa como pai e filho e isso é mostrado em tela, com uma forte tensão entre os dois, visível mesmo sem que ambos verbalizem o incômodo que um faz ao outro. Ao menos nesse começo eles são distantes, e se comunicam por conveniência clara, com o pai querendo provar que está saudável e o filho querendo utilizar o piano para ensaiar para o teste de uma orquestra.

A riqueza da trama certamente são os cenários pouco usuais para uma história que tem a trilha de um piano de calda clássico como principal mote. A música de Paulo em nada combina com o ambiente salutar da casa Poligamia – ou Polygamus, segundo o letreiro novo em latim – casa de tolerância que veio a se tornar uma “casa de danças”, depois que o juiz decide virar sócio dessa boate.

Os últimos momentos do filme tem uma queda de qualidade, inclusive incorrendo em um certo melodrama, proveniente da relação tardia entre os personagens que no começo da trajetória, estavam separados e finalmente se entendem, ainda assim, o conjunto de personagens periféricos funcionam muito bem, por mais caricato que Guta Stresser, Dedé Santana e outros intérpretes exercem, tornando esse Antes Que Eu Me Esqueça um filme bastante terno e interessante.

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