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Crítica | As Tartarugas Ninja: Saindo das Sombras

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As Tartarugas Ninja iniciou-se como uma HQ underground, em preto e branco e com muita violência, criada por Kevin Eastman e Peter Laird como paródia de trabalhos de Frank Miller com Demolidor, Ronin, e para brincar com os universos mutantes e seus temas de aceitação, tão populares na época. Não parecia ser inicialmente um conteúdo voltado para crianças. Porém, a série animada dos anos 1980 coloriu e trouxe um humor muito mais ingênuo aos irmãos renascentistas adolescentes. Rafael, Donatello, Leonardo e Michelangelo eram treinados e criados pelo Mestre Splinter, ninja afetado pelo Ooze, uma substância mutagênica que também deu origem aos irmãos. Após o sucesso nas telinhas, veio o sucesso nos cinemas com Tartarugas Ninjas - O Filme, filme independente mais lucrativo durante anos, mas seguido de duas sequências que, embora mais produzidas, lucraram menos que o original.

Na releitura produzida por Michael Bay e dirigida pelo seu pupilo Jonathan Liebesman, Tartarugas Ninja, o tom de aventura se uniu de forma atraente ao visual sujo e steampunk. Os apenas 90 minutos de produção ajudaram a dar foco ao filme de trama quase inexistente.

Para a continuação, As Tartarugas Ninja: Saindo das Sombras, foi providenciada a mudança de direção, entrando Dave Green. Houve uma precipitação na concepção, pois o filme se mostra quase um reboot de seu original em certos momentos — contando até com reintrodução do quarteto mutante e de suas habilidades — , por replicar os mesmos temas, os conflitos do líder Leonardo com seu impulsivo irmão Rafael e novamente a dificuldade de trabalhar em time e aliar suas qualidades e defeitos. Apesar de repetitivo, ainda é o atrito que melhor trabalha certa profundidade à trama, detalhando as dificuldades do crescimento das responsabilidades da saída da adolescência e a necessidade de alguém compreender seu lugar no mundo, eventualmente buscando ser especial ou apenas tão normal quanto qualquer outro.

Reaparecem então as tristezas de viver nas sombras e a oportunidade de sair para a luz. Mas, durante a fuga do Destruidor da prisão (com mudança óbvia de ator, décadas mais jovem que no filme anterior), as Tartarugas entram em conflito novamente com o Clã do Pé, e com uma nova ameaça: Krung, o cérebro mutante com tentáculos criado para a série animada, e que tem a intenção de se aliar com o vilão para roubar relíquias espaciais e, assim, dominar a Terra.

Para ajudá-lo, Destruidor e Krung criam os mutantes capangas Bebop e Rocksteady, personagens também vindos da série animada, e que são excelentes, sendo facilmente a melhor coisa do filme.

As tartarugas continuam funcionando muito bem em cena: a captura de movimento torna suas expressões críveis e ajudam a compor a cena, tanto as de humor quanto as que buscam um apelo mais dramático. O grande problema está no elenco de apoio, na inserção atrapalhada de certos personagens como Casey Jones (Stephen Amell, canastrão e sem graça) e o Dr. Baxter (O péssimo Tyler Perry). Para fazer alguma conexão com o filme anterior, Destruidor e Vern Fenwick (Will Arnett) atuam como coadjuvantes de luxo.

Com boas sequências de ação — e a mais interessante delas passando-se no Brasil — e humor físico envolvendo chutes entre as pernas e piadas com comida, Tartarugas Ninja: Fora das Sombras consegue deter a base da animação e introduzir bons elementos visuais e uma relação orgânica com Nova York e seus esgotos. Apesar de os diversos personagens estarem bem distribuídos na ação e em seus papéis, o elenco de apoio funciona mal, perdendo força quando as tartarugas estão ausentes. Sem definir-se bem sobre sua ameaça central, o filme não se sente acanhado em dizer que todo o entorno é uma desculpa para vermos em ação o que faz desses personagens tão relevantes: a força de tartaruga.

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Texto de autoria de Marcos Paulo Oliveira.

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