[Crítica] Assassino a Preço Fixo 2: A Ressurreição

mv5bmjywodexnzuwmv5bml5banbnxkftztgwntgwnjuyote-_v1_uy1200_cr9006301200_al_

Jason Statham precisa de um novo agente. O ator tem feito uma série de escolhas equivocadas e tem atuado em alguns filmes bem abaixo da crítica, salvo as exceções de Velozes e Furiosos 7 (e agora o oitavo) e a estrelada cinessérie Os Mercenários. Há que se ressaltar também, o processo de Stevenseagalnização que ele vem sofrendo. Seus papéis são exatamente os mesmos, chegando ao cúmulo de os personagens terem backgrounds praticamente iguais. Entretanto, o Statham chegou ao pior momento de sua carreira com esse Assassino a Preço Fixo 2: A Ressurreição, fraquíssimo filme que pode facilmente ser considerado como o pior da carreira do outrora esperança dos filmes de brucutu.

Nesse equivocado filme que é a sequência de um remake (!) de um filme cult estrelado por Charles Bronson, Jason Statham retorna ao papel de Arthur Bishop, que após os eventos do primeiro filme se aposentou, mudou de identidade e foi morar no Rio de Janeiro. Após ser abordado por uma mulher que deseja requisitar seus antigos préstimos, Bishop foge, muda novamente de identidade e vai morar em uma ilha paradisíaca da Tailândia. Porém, ao salvar uma bela donzela em perigo interpretada por Jessica Alba, Arthur acaba tragado novamente para seu antigo estilo, pois logo depois a moça acaba sequestrada por um antigo conhecido que deseja que ele cometa três assassinatos da maneira como o consagrou no submundo: fazendo parecer um acidente. A partir daí, Bishop parte ao redor do mundo para cumprir as missões e salvar sua amada.

Parece uma trama intrincada, né? Só parece. O roteiro idealizado por Phillip Shelby e Tony Mosher é pedestre e não tem a menor coerência. Se ao menos soubesse utilizar os clichês dos filmes de ação, alguma coisa poderia ser elogiada no argumento. Entretanto, os clichês se amontoam no caminho e fazem o filme ruir com poucos minutos de projeção. Os personagens são mal construídos e suas motivações, quando possuem, são sofríveis. Pra piorar, a natureza episódica do roteiro não ajuda em nada, fazendo-o parecer bem mais forçado do que já é. A direção do diretor Dennis Gansel (de A Onda) é frouxa e genérica. Somada com a fraca direção de fotografia de Daniel Gottschalk, o diretor filma sequências péssimas de luta, com um aspecto semi-amador. Nota-se em vários momentos que os dublês fazem até pose pra esperar os golpes de Jason Statham. Gansel só consegue uma sequência minimamente interessante, que é a do assassinato/acidente na piscina do arranha-céu. Porém, não há uma atmosfera de suspense para a execução do intrincado plano do protagonista, o que diminui seu impacto. Uma sequência merece um destaque negativo especial: a abertura no Rio de Janeiro. A tentativa frustrada de emular os filmes de 007 já deixa clara a bomba que vem a seguir.  Só que nem como comédia involuntária o filme serve.

Jason Statham está especialmente sofrível nesse filme. O ator parece desanimado em cena, como se estivesse ciente da roubada em que entrou, já que além do filme ruim, seu personagem é uma espécie de MacGyver sem charme (e careca) que usa armas. Seu trabalho aqui é digno de nota zero. Jessica Alba, que já é limitadíssima, também não ajuda nada e aqui desfila toda sua falta de talento. Agora, eu ainda estou tentando entender por que demônios Tommy Lee Jones resolveu fazer esse filme. Seu personagem é péssimo e mesmo em piloto automático o ator consegue imprimir um pouquinho de charme a ele. Pena que ele tem pouco de tempo de tela. Sam Hazeldine, que interpreta o vilão é tão sem graça que só consegue despertar indiferença. Michelle Yeoh, estrela de O Tigre e O Dragão, não faz nada digno de menção.

Enfim, Assassino a Preço Fixo 2: A Ressurreição é tão bom quanto as cenas de Statham falando português no início do filme (ironia mode on). Vamos torcer que a partir daqui, o brucutu inglês passe a escolher melhor os seus papéis e volte a fazer os filmes divertidos de outrora.