Cinema

Crítica | Astérix e o Domínio dos Deuses

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Lançado no Brasil somente em 2016, Asterix e o Domínio dos Deuses foi a tentativa de reviver no cinema as versões animadas dos quadrinhos desde 2006 quando saiu Asterix e os Vikings.

Em uma tentativa de derrotar a aldeia dos irredutíveis gauleses que tanto causam dor de cabeça, Júlio Cesar manda construir um resort em volta da vila de seus inimigos para incorporá-los ao mundo romano.

Com o roteiro adaptado por Alexander Astier e Louis Clichy, também diretores do filme, e a colaboração de Jean-Rémi François e Philip LaZebnik, baseados nos quadrinhos lançado em 1971 pelos criadores René Goscinny e Albert Uderzo, respectivos roteirista e desenhista, a narrativa do filme mantém o ótimo argumento que discute diversos temas como a dominação colonial e cultural, além da globalização.

Ao fazer com que haja uma invasão romana nas florestas para iniciar as construções das moradias, inicia-se uma discussão sobre o domínio de um país pelo outro e amplia-se o debate para uma dominação cultural ao transformar a aldeia dos irredutíveis gauleses de um comércio local autossustentável em lojas de turismo que vivem para abastecer os hóspedes romanos. Outro tema também importante como a resistência cultural como forma de combate aos invasores acaba se diluindo junto dos outros dois quando o roteiro prefere focar no planejamento e execução do plano de Asterix, Obelix e Panoramix de expulsar os romanos dali.

Um problema extra do roteiro foi desrespeitar o material original. Em todos os livros de Asterix não existe traição dos cidadãos romanos à própria pátria, ainda mais feita de forma brusca e sem motivação como foi o caso da família de Petiminus, outra mudança mal realizada foi fazer com que o próprio Júlio César fosse até o local do Domínio dos Deuses. Ao inserir estas mudanças enfraqueceu o próprio mito de Roma que se construiu no universo de Asterix como um império fraco, quando na verdade é o maior adversário dos gauleses que são tão invencíveis quanto eles, que só não os derrotaram por não terem a poção mágica.

A animação competente conseguiu dar vida aos personagens dos quadrinhos, respeitando a sua forma original e mantendo um padrão visual aos novos personagens acrescentados, além de permitir com que a sua forma de se movimentar fosse original.

A edição de Soline Guyonneau manteve um bom ritmo, respeitando o tempo do espectador em assimilar a narrativa visual.

Asterix e o Domínio dos Deuses é um filme que deve agradar quem não liga para o material original, ou pode ser uma porta de entrada para o mesmo.

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Texto de autoria de Pablo Grilo.

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