Crítica | Bacanal do Diabo e Outras Fitas Proibidas de Ivan Cardoso

Bacanal do Diabo e Outras Fitas Proibidas de Ivan Cardoso começa com uma filmagem em preto e branco, com a câmera descendo junto ao carrinho, basicamente para emular um movimento de descida semelhante ao que o órgão sexual masculino faz ao penetrar no ato sexual. Não demora para, sem qualquer introdução, vir um número sobre o Draculas Club, onde mulheres semi nuas ou nuas fazem mil peripécias ligadas a vampiros, com slogans sensacionais – como Vampiras infernais, Taras Diabólicas, Rebolando com Drácula – onde as moças fazem até golden shower nas fotos de Bela Lugosi.

O filme, de pouco mais de uma hora de duração se dedica a passear pela filmografia de Ivan Cardoso, de maneira regressiva, a principio. Essa postura metalinguística não é novidade, Cardoso já se auto referenciou antes em suas obras, inclusive em alguns títulos de seus filmes mais antigos, mas a maneira com que ele monta esse filme é demasiado inteligente e moderna, pois reúne boa parte de suas influências com a sua obra e de uma maneira que até hoje é imitada, como é visto nos recentes Humberto Mauro e Cinema Novo, por exemplo, ainda que o objeto de analise desses seja muito mais catedrático.

Para quem conhece a obra do cineasta o filme é um belo rememorar, além de conter elementos novos, e claro, e para quem não é especialista da obra é uma boa iniciação, pois os curtas e fitas compiladas aqui não tem uma ordem definida e não necessitam de qualquer visualização prévia nem para serem apreciadas e nem para seu entendimento.

Em comum, em todos os segmentos, há uma ode ao rock’n roll e a exibição de belos corpos femininos, desde momentos mais tímidos das moças até detalhes ginecológicos, sejam cenas onde os órgãos sexuais das mulheres estejam em foco só por estar, bem como momentos de  masturbação ou depilação. A ideia de Ivan é de normalizar o nu, e ele acerta em cheio no quesito, pois mesmo que a principio uma intimidade dessa choque é completamente natural o estado e essas imagens, e Bacanal do Diabo está muito bem dentro estigma que propõe para si, de ser apenas  um retrato da obra de seu criador, acertado e certeiro, um ensaio que gera muita curiosidade pelas outras obras.

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