Crítica | Bad Boys (30 for 30)

Zak Levitt é o diretor do documentário 30 for 30 denominado Bad Boys, que busca mostrar os bastidores do bi-campeonato do Detroit Pistons, em meados dos anos 80 e começo de 1990, e para isso, se resgata todo o sentimentalismo negativo, de desprezo, rejeição e até nojo ao tipo de jogo que o Pistons fazias. O time de Isiah Thomas e Dennis Rodman entraria para a historia por seus títulos, mas também por ser mal visto, por ser encarado como malditos, entre outros motivos, por barrar as primeiras tentativas dos Chicagos Bulls de Michael Jordan de chegar a as finais.

A narração do cantor Kid Rock retorna a historia de Detroit, Michigan, fala da violência, dos tumultos, da guerra racial dos Estados Unidos. Não demora a se falar da promessa da Universidade de Indiana, de Isaiah Thomas e do draft de 1981, onde ele quase foi para Chicago, mas ficou em Michigan mesmo. A aura em torno dele aumentou com os anos, e as comparações com estrelas da época eram inevitáveis, para muitos, Thomas era uma versão menos alta de Magic Johnson, com desempenho incrível, tão brilhante quanto o astro do Los Angeles Lakers.

O filme reforça a idéia de que é preciso um conjunto para tornar uma franquia em um time campeão, e  a dedicação que Levitt tem em construir essa historia é muito boa, desde a chegada gradual de John Salley e Dennis Rodman, até o acréscimo de Chuck Daly  como treinador, que basicamente usava o fato de manter intacto seu penteado para  disfarçar o seu nível alto de competitividade. Aos poucos, por polêmicas de Thomas, que ofendia Larry Bird proferindo xingamentos que foram encarados por torcida e imprensa como racismo contra brancos (o que por si só faz nenhum sentido…), e tambem pela forma que Bill Laimbeer jogava, desestabilizando adversários e sendo agressivo e desleal desde 1987, quando fez Bird ser expulso, o time passou a ser taxado de Bad Boys, odiados por todos que não fossem fãs dos Pistons.

A rivalidade com os Celtics se acirrou com os anos, mas a realidade é que para os Bad Boys, o desafio para ali mesmo, em vencer as finais de conferência, pois os Lakers eram superiores demais, com um Kareem Abdul Jabbar muito bom, e Magic brilhando muito. Os Celtics sabiam enfrentar o time de Los Angeles, eles, nem tanto, não em decisão.

Finalmente em 1989 o time chegaria de novo a final, para enfim ser campeão, e as ruas saudariam os Bad Boys, e obviamente que não houve lua de mel para sempre, entre jogadores, comissão e torcida. O documentário não é chapa branca, mostra inclusive Rodman bem triste com a condição de entrar cada vez menos, mas também não torna isso um problema maior do que seria, tanto que ele mesmo se reinventou, e foi eleito o melhor defensor do ano, pouco depois de começar a esquentar o banco.

Do ponto de vista estratégico, eles percebem a ascensão dos Bulls, e vêem que tem que parar Scott Pippen, que viria a ser o principal parceiro de Jordan no Chicago multi campeão. Havia muita inteligência na leitura dos jogadores e também de Daly. O segundo título veio para solidificar aqueles anos mágicos, mas obviamente os tempos mudaram, pois começaria uma nova era, do maior atleta que a NBA viu jogar, e de um time imbatível, que fazia ele jogar ainda mais. Com um novo rei coroado era preciso se despedir, claro. Bad Boys serve bem  ao propósito de desconstruir no Pistons a figura de apenas vilões, uma vez que eles tem sentimentos, e inspiraram muitos, todo um povo de um estado, e trouxeram dois títulos inéditos para a franquia, que infelizmente foi demolida a partir de 1991, e o maior legado do filme certamente é o de causar comoção em quem assiste,que automaticamente  fica simpático aos Pistons, lamentando inclusive a aposentadoria precoce de Isiah, aos 34 anos, em 1994. Há que se lembrar deles, como atletas e como parte de um time que marcou época.

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