[Crítica] Batman – O Retorno da Dupla Dinâmica

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O seriado do Morcego de Gotham iniciado em 1966 foi um sucesso de público à época, mas era comumente tratado como algo menor e digno de reclamações de fãs mais ardorosos, em especial depois do lançamento do Batman, de Tim Burton. Aos poucos, esse quadro mudou, com um resgate de louvor da obra, com paródias brasileiras como Feira da Fruta além da recente revista Batman 66, do roteirista Jeff Parker. É na esteira desse revival que mora Batman – O Retorno da Dupla Dinâmica, uma animação em longa metragem de Rick Morales, que conta com as vozes de Adam West, Burt Ward e Julie Newmar à frente da dupla dinâmica e da vilã felina.

Morales tem uma experiência considerável em animações, tendo trabalhado nos televisivos A Sombra do Batman e Lanterna Verde: A Série Animada, além de alguns trabalhos com a franquia Lego. O Retorno da Dupla Dinâmica é seu projeto mais potente enquanto diretor e possui uma trama simples, com o quarteto de vilões Charada (Wally Wingert), Coringa (Jeff Bergman), Pinguim (William Salyers) e Mulher Gato (Newmar) se unindo para causar mal a Gotham, bem ao estilo do longa-metragem live action de Leslie H. Martinson.

Alguns eventos dão errado e o Morcego parece ter enlouquecido por completo, ao ponto de usar uma arma de multiplicação para fazer muitas cópias de si para então substituir os cargos importantes da cidade, como o corpo policial, padeiro, cargos eletivos como prefeitos etc. O script é simples, mas ainda guarda riquezas imprescindíveis em sua execução, desde a sobrevivência da Mulher Gato no espaço sem qualquer material de astronauta, até uma boba justificativa para a função de motorista que o menino prodígio às vezes fazia.

Há referências claras a detalhes obscuros do programa de TV, como o trio de atrizes que fizeram a persona de Selina Kyle (além de Newmar, Eartha Kitt que também fez a vilã na TV e Lee Meriwether no longa do cinema) além da tradicional subida pela corda nos prédios e itens como um escudo de calor embutido na capa do herói, fator que faz lembrar imediatamente do bat-repelente de tubarão, utilizado no já citado filme de 66.

O clima camper típico do programa está presente no script e nas ações de Dick Grayson e Bruce Wayne. Há insinuações de cunho sexual até agressivas se levar em conta o restante das animações da DC Comics e Warner Bros, ainda que não sejam estas situações tão gritantes. As referências estão lá para quem quiser perceber. Apesar de o final parecer um pouco anti-climático, o mesmo condiz à perfeição com o lugar comum do programa, com a possibilidade de um gancho para uma continuação e claramente aludindo ao escapismo que fazia da série algo tão interessante e divertido. Batman – O Retorno da Dupla Dinâmica consegue o mesmo feito, ainda que não seja tão brilhante é um belo objeto de reverência e deixa no espectador a vontade de ver mais produtos semelhantes.