Cinema

Crítica | Ben Hur (1925)

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A historia do valente Judah Ben Hur é tão largamente conhecida que não coube em apenas uma encarnação no áudio visual. Muito antes do Ben Hur de William Wyler e Charlton Heston lançado em 1959 e recordistas em prêmios da academia, houveram outras duas versões, uma do cinema mudo inicial, em 1905 e que passou por graves problemas de direitos autorais, já que os direitos cedidos pelo autor do livro Lew Wallace eram para uma peça de teatro, e também essa versão, o Ben Hur de 1925, dirigido por Fred Niblo, que tinha entre os câmeras e assistente de direção, o mesmo Wyler que faria outra versão do mito.

O filme era bem grandioso, para sua época, não só na duração da obra, que  tem 142 minutos, mas também no escopo que ela teve. O orçamento milionário incluía a construção de muitos sets, e o uso de uma tecnologia de colorir ainda experimental, e utilizada de maneira parcimoniosa até, nas cenas que envolvem a figura messiânica de Jesus, tem as cores originais dos sets de filmagem, com um uso bem diferenciado do que viria a ser o Technicolor como se conhece. Há bem poucas cenas com esse uso, as que estão no início, e próximo do final quando ocorre  a conversão do personagem central e a ressurreição do Messias.

Aparentemente, Ben Hur estava destinado a ser um personagem cujas obras baseadas em sua historia precisassem ter um escopo épico, dentro e fora de tela. O filme não conseguiu se pagar, até porque estava a frente de seu tempo. Seu orçamento era alto demais para o consumo cinematográfico em uma época que não era um entretenimento tão massificado. Esta era uma época diferente, com a fusão que daria origem a MGM (Metro Goldwin Mayer) ainda em estágio inicial, e quase falindo por conta dos custos.

As atuações primam pelo tom teatralesco, o Ben Hur de Ramon Novarro é bem "eloquente" em suas expressões, e há claro muito exagero, da parte dele, do Messala de Francis X. Bucshman e das parentes do protagonista, e esse tom ajuda muito na sequencia da corrida de bigas, que é tão  surpreendente quanto a versão dos anos 50, arrojada, violenta e muito bem registrada. O modo como as câmeras de postam na frente dos cavalos condutores dá uma sensação de imersão tremenda, ter visto isso numa tela grande no inicio do século XX.

Os momentos de combate no mar também impressionam, assim como os cenários que emulam a Roma Antiga, e por mais que nessa versão o cunho religioso seja mais presente nesse do que na outra adaptação de Wyler, há muito cuidado, originalidade e audácia por parte de Niblo e toda a sua produção, que mesmo com todas as restrições, consegue trazer um filme coeso, repleto de um clima de aventura e épico ao extremo.

Filipe Pereira

Filipe Augusto Pereira é Jornalista, Escritor, quer salvar o mundo, desde que não demore muito e é apaixonado por Cinema, Literatura, Mulheres Rock and Roll e Psicanalise, não necessariamente nessa ordem.
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