Crítica | Bohemian Rhapsody

A produção da cinebiografia do Queen é antiga, já passou por inúmeros cineastas e até por interpretes e depois de uma produção conturbada, finalmente chega aos cinemas o filme que começou com Bryan Singer conduzindo, mas teve filmagens adicionais de Dexter Fletcher que aqui assina como produtor executivo. Bohemian Rhapsody acaba por ser a oportunidade perfeita para Remi Malek interpretar Freddy Mercury, com um pequeno aceno para a historia da banda que tinha o descendente de paquistaneses como frontman.

Ao longo das duas horas e 14 minutos, a historia de Anthony McCarten e Peter Morgan passa de maneira um pouco didática, de certa forma até rasa, por exemplificar como uma trajetória de 21 anos em um não tão extenso. O fator que faz o filme soar sério é a performance de Malek, que apesar de soar um pouco caricatural graças a dentadura que utiliza e as perucas que usa, consegue trazer a luz uma versão bem fiel do que era o fenômeno que assinava a voz do Queen.

As passagens de tempo são problemáticas, por outro lado é bastante crível todas as relações de Freddie, e apesar do filme todo girar em torno dele, os personagens secundários tem boas participações. Tanto o primeiro amor do cantor, Mary Austin (Lucy Boynton) quanto a banda inteira tem seus momentos de brilhar, Ben Hardy que faz Roger Taylor (o baterista) sobretudo funciona perfeitamente como a pessoa que bate de frente do ególatra que protagoniza o filme, assim como Gwilym Lee parece demais Brian May e Joseph Mazzelli também encarna fidedignamente o tímido baixista John Deacon. Alem disso, a trilha com as músicas do Queen ajudam a tornar toda  a experiência em algo apoteótico, emulando em alguns momentos o estilo Opera Rock.

Se a montagem acerta nos pontos onde entram as músicas, embalando o espectador que é aficionado pelo conjunto musical britânico, o mesmo não se pode dizer das relações carnais de Mercury. Ao mesmo tempo em que há um acerto em mostrar o vazio emocional do personagem, se peca por só mencionar os exageros que o homem por trás do mito praticava. Se fala sobre as festas com anões, com palhaços, pessoas circenses e crossdresser, e há alguns momentos em que isso aparece, mas sem peso dramático, sem uma atenção maior. Isso é problemático demais, pois parece quase uma auto censura e dado todos os problemas da produção é difícil identificar o maior culpado disso, se foi o estúdio, Singer ou Fletcher, ou um pouco de cada um.

Em se tratando de um filme que demorou tanto a ser filmado e finalizado e com tantos detalhes negativos de bastidores, Bohemian Rhapsody soa como uma cine biografia que apesar de não fazer jus a complexidade de seus biografados, ao menos soa divertida, um passatempo sem dúvida divertido e que seria melhor apreciado se não fosse tão conservador em sua formula. Ao menos, Malek consegue trazer uma veracidade ao papel principal, além do que o sincronismo de seu esforço físico com a voz de Marc Martel beira perfeição, além de ter um final apoteótico e grandioso, aí sim sendo justo com o legado do Queen.

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