[Crítica] Bom Comportamento

O drama de desajustados Bom Comportamento é o novo longa metragem dos irmãos Benny e Josh Safdie. Os condutores de Amor, Drogas e Nova York trazem um filme que envolve temas polêmicos, relacionando família, roubo e depredação do bem particular e outras tantas questões espinhosas.

Na trama, acompanhamos a história dos irmãos Connie (Robert Pattinson), um sujeito trambiqueiro que já tem passagens anteriores pela polícia, e Nick (Benny Safdie), um jovem com condições especiais. A primeira cena já demonstra qual a tônica da relação dos dois, com Connie tirando Nick de um teste psicotécnico, por acreditar que aquilo possa prejudicar o bem estar de seu irmão.

Connie executa um assalto a banco, ainda que não exista nenhuma cena que explicite como se deu esse planejamento. A dupla de parentes utilizam máscaras para encobrir as verdadeiras identidades e se comunicam por meio de recados de papel com a caixa da agência financeira. Não há sequer um sussurro, quanto mais tiros.

Essa falta de planejamento pode ser uma simples escolha narrativa, obviamente, mas também há a possibilidade dessa ser a primeira mostra do quão fracassada é a mente e o método do protagonista em planejar as ações que toma para sua vida e para a vida do irmão. A ganância e avidez por conseguir mais dinheiro para si e sua companheira, Corey (Jennifer Lason Leigh), o faz falhar no roubo e após uma perseguição frenética. O destino de Nick é ser capturado, graças a um descuido na tentativa de fuga. O dinheiro roubado passa a ser utilizado como uma tentativa de se pagar a fiança do irmão.

Nesse meio tempo, todo o cenário social dos Nikas é mostrada em detalhes sórdidos, seja na reunião familiar ou nas condições precárias em que a família se encontra. Em meio a incertezas sobre a liberdade de seu irmão e a culpa que o corrói, há uma nova ação de Connie, a fim de tentar salva-lo no hospital onde se recupera. Mais uma vez ocorre um equívoco e ele se vê com uma nova gama de problemas para resolver e esse importe de erros resulta na demonstração clara de que essa história é sobre um ciclo de fracassos de pessoas desafortunadas.

A cadeia de eventos drásticos que ocorrem nos pouco mais de cem minutos se torna uma odisseia tragicômica. O ritmo absurdamente bem empregado pelos diretores Safdie transforma os momentos mais surreais em verossímeis. A performance do elenco é mais do que acertada, sobretudo Pattinson, que consegue transparecer e transpirar todo o desespero do dia de cão que vivencia, fazendo desse Bom Comportamento um episódio grave e forte na vida de um sujeito desafortunado e à margem da sociedade.

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