Cinema

[Crítica] Bronco Billy

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Bronco Billy - Poster

Diante da carreira desenvolvida no gênero Western, Clint Eastwood inicia a década de 80 dirigindo mais uma produção que versa sobre o mesmo tema, mas com uma ótica diferenciada. Motivo que fez de Bronco Billy um fracasso comercial devido à alta expectativa que seu nome carregou desde o início.

A produção visa a parceria do ator com sua esposa, Sondra Locke, representando um casal atípico como em Rota Suicida. A narrativa de Bronco estabelece uma homenagem à figura do cowboy, bem representado por Eastwood em diversos filmes, recondicionando-o a realidade contemporânea. O famoso Bronco Billy é um artista dono de um circo itinerante cuja intenção é apresentar um panorama do que foi o oeste americano. Se o western por excelência observa este passado glorioso, a figura de Bronco Billy e de sua equipe vivem um passado histórico do qual nunca fizeram parte, de fato.

A tônica da produção é suave, próxima de um filme familiar, com uma das personagens mais doces do ator. A suavidade do roteiro foge das tradicionais tramas densas e situa parte de seu argumento de maneira cômica ao apresentar uma herdeira que casa com um picareta para manter seu dinheiro. É sua fuga deste casamento arranjado que a faz entrar na trupe de Bronco Billy.

A leveza do roteiro de Dennis Hackin não esconde a intenção de demonstrar tais personagens como homens distantes da realidade, escolhendo uma fuga para viverem em harmonia. Um aspecto que produz uma análise precoce da carreira de Eastwood, que faria futuramente grandes obras revisitando sua trajetória, como Gran Torino e estrelando Curvas da Vida, uma obra sobre envelhecimento e tradição. De maneira sutil, o cowboy é visto como um ser destoante e uma espécie de representante de um passado agora inútil. Ao mesmo tempo que deixa clara a ode ao passado, na progressão de apresentações de Bronco e sua equipe.

Mesmo sem um enredo brilhante, a história se destaca por apresentar um Eastwood diferente do habitual, mas conectado a uma narrativa com tom familiar, evocando com alegria mais um passado do que explicitamente sua verve violenta. Mesmo que seja evidente que a obra causaria um impacto negativo de bilheteria, Bronco Billy é cativante pela simplicidade.

Thiago Augusto Corrêa

Apreciador de cinema, literatura, quadrinhos e música. Formado em Letras, escritor e metido a sabichão.
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