Crítica | Bumblebee

Bumblebee tem surpreendido em suas primeiras exibições com elogios da crítica e público que afirmam se tratar de um filme divertido, com bom ritmo e despretensioso, ao contrário de toda a franquia Transformers, de Michael Bay. Além disso, o longa ainda resgata a simplicidade dos primeiros desenhos, baseados nos brinquedos da Hasbro, que faziam a alegria da criançada nos anos oitenta. O filme de Travis Knight consegue estabelecer uma conexão com seu espectador que não se via desde o primeiro filme da franquia, e em muitos pontos ele o supera.

O começo do longa mostra a guerra em Cibertron, com os Autobots servindo como resistência aos Decepticons, os mesmos vilões de sempre, que nessa versão canibalizam o planeta, de certa forma. Não há um mergulho nessa trama, e isso é ótimo, pois pode investir emoção em outros momentos. É estabelecido que B-127 (dublado por Dylan O’Brien), um robô de aspecto semelhante a uma abelha iria até a Terra e permaneceria incógnito até os outros heróis se juntarem a ele. Ao chegar ao planeta, ele se depara com alguns militares humanos, entre ele o Agente Burns (John Cena, que estás surpreendentemente bem no filme), além de enfrentar um decepticon que o perseguiu. Nessa luta, é respondido um detalhe importante da biografia do personagem.

Nesse epílogo já se nota uma bela diferença em relação a impessoalidade dos outros filmes, há perdas humanas, se vê quem morre, e esse é um belo acerto do roteiro de Christina Hodson. Mas esse quadro evolui quando é introduzida a personagem Charlie Watson (Hailee Steinfeld), uma adolescente impopular, e que tem ainda de lidar com a perda de seu pai.

A menina possui um interesse em mecânica automotiva, já que é algo que a aproxima da memória de seu velho pai. Com o tempo, ela decide comprar um fusca encostado no ferro velho, sem saber que se tratava de B-127. A forma como os dois personagens começam a interagir é muito terna e bem construída, o robô que ganharia dela a alcunha de Bumblebee está traumatizado, não consegue falar e nem entrar em modo de combate, e ela trata o alienígena como um novo amigo, jogando no nessa relação uma carga emocional de compensação pela perda que teve. Toda essa dramaticidade é muito bem explorada, não há grandes exageros melodramáticos, ao contrário, tudo é bem construído, mesmo os típicos percalços soam bem escritos e executados.

O fator que mais pesa a favor do spin off/prequel em comparação aos outros capítulos da franquia é a questão das personalidades, o filme bem como os personagens são carregados de sentimentos, e possuem alma ao contrário do restante da cine saga. Steinfeld consegue trazer um carisma aos personagens humanos que não se via em Shia Labeouf, por exemplo, muito menos em Mark Wahlberg apesar de ambos serem atores com bons momentos no cinema. A menina que já havia surpreendido em Quase 18 prossegue fazendo um bom papel aqui, e seus problemas sérios de aceitação conversam com os de Bumblebee e fazem sentido exatamente por se tratar de dois personagens flagelados e à margem. Além disso, o fato de durar menos de duas horas e ter um bom ritmo favorece demais ao longa na comparação com os longas de Bay, se isso não fosse o bastante, o fato dele pouco se levar a sério colabora ainda mais para o filme – o modo com alguns humanos são desintegrados, como gosma transparente é engraçado e tira o peso do acontecimento.

Os personagens humanos periféricos tem cada um seu momento de desenvolvimento e vestir a máscara do protagonismo, mas nada exagerado. O design dos autobots é mais quadrado, remetendo a um fator nostálgico e funcional, pois o design ultra futurista tornava os Transformers em guerreiros super poderosos meio genéricos e artificiais demais e a graça do anime e cartoon era que eles parecessem brinquedos – afinal, é uma cinessérie da Hasbro.

Apesar de claramente haver um declínio na historia quando deixa de lado os homens e mulheres de Brighton Falls para focar no núcleo militar, o final consegue acertar essas duas questões em uma amálgama com cenas de ação bem divertidas e uma luta emocionante, além de também mostrar didaticamente o quão boba era a mentalidade paranoica da Guerra Fria, e o quanto os Estados Unidos podia agir de maneira irracional diante da possibilidade de ter vantagens em um conflito. Bumblebee é carismático, divertido e certeiro, simples em sua fórmula e emocional quando necessário.

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