[Crítica] Cães de Guerra

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Cães de Guerra é aquele filme que chama a atenção. Temos Todd Phillips, o diretor da franquia de comédia adulta mais lucrativa de todos os tempos (ainda que as partes 2 e 3 não sejam tão boas, o primeiro Se Beber, Não Case é sensacional), Miles Teller – o novo garoto prodígio de Hollywood que tem se destacado bastante desde Whiplash – e Jonah Hill, que há muito deixou de ser um simples comediante para se tornar um dos mais talentosos atores de sua geração, tendo sido inclusive indicado duas vezes ao Oscar. Olhando tudo isso, você pensa: “Isso não tem como dar errado!”. Errado não deu. Porém, não é um grande acerto.

Grande parte do problema de Cães de Guerra vem do seu roteiro. O script cunhado por Stephen Chin, Jason Smilovic e pelo próprio diretor Todd Phillips a partir de um livro escrito por Guy Lawson e chamado Arms and The Dudes é convencional demais. O que poderia ser um forte conto moral acaba diluído em uma diversão fugaz devido à falta de ousadia do roteiro. Temos ali o ponto de partida quando o homem que largou tudo pra tentar se fazer sozinho e está fracassando encontra com o antigo melhor amigo que se deu bem na vida com negócios obscuros e hoje procura um novo sócio, a escalada rápida ao sucesso, conflitos familiares devido à mentiras sobre os negócios, o momento que a ambição gera consequências terríveis para a amizade dos protagonistas… todos os elementos da fórmula estão presentes no filme. Até uma narração expositiva do personagem de Miles Teller se faz presente, sendo desnecessária em alguns momentos. A divisão em “capítulos” também não ajuda, uma vez que as frases que os nomeiam acabam diminuindo a surpresa dos eventos narrados a seguir.

O diretor Todd Phillips trabalha bem com esses clichês, mas falta a ele a anarquia que imprimiu na trilogia Se Beber, Não Case e em outras comédias de sua filmografia. Porém, o diretor filma ótimas sequências e a melhor delas é a que retrata quando os protagonistas atravessam a Jordânia para chegar ao Iraque para entregar um carregamento de Berettas encomendado pelo exército americano. Nessa cena em especial, o diretor equilibra tensão e humor com maestria. Outro ponto positivo é o fato dele conseguir ótimas atuações da dupla Miles Teller e Jonah Hill. O primeiro demonstra a competência usual, imprimindo até uma certa ingenuidade em seu personagem. Porém, quem domina a tela é Hill. O ator constrói um tipo que é ao mesmo tempo odioso e adorável e tem momentos impagáveis ao longo do filme, principalmente quando precisa demonstrar suas habilidades como negociador. A linda Ana de Armas tem poucos minutos em tela, mas defende seu papel com competência e Bradley Cooper está ameaçador como o maior traficante de armas do mundo.

Cães de Guerra tinha tudo para ser um conto moral dos mais interessantes, pois conta com um bom diretor e uma ótima dupla de protagonistas. Entretanto, o seu roteiro formulaico acaba por engessar uma boa história e o que poderia ser um filme para levantar questionamentos e produzir discussões, termina como uma fugaz diversão.