Crítica | Candidato Honesto 2

O cinema de Roberto Santucci normalmente é associado as famigeradas Globochanchadas, comédias de humor esquemáticas e repletas de piadas baseadas em bordões. Foi assim em Candidato Honesto, de 2014, onde Leandro Hassum fazia o papel de João Ernesto Ribamar, um homem de origem humilde que ascendeu ao panteão político de Brasília, como deputado e depois como candidato a presidência.

À procura de sucessos e nadando contra a corrente da decadência recente aos filmes de comédia escrachada nacionais, Candidato Honesto 2 retorna com o mesmo protagonista, mesmo diretor, mesmo escritor (Paulo Cursino) e com um personagem principal mais sincero, moderado e boca suja, uma vez que toda frase sua parece ter ao menos um “porra” no vocábulo. Não há qualquer moralismo nessa constatação, e sim a percepção de que o filme é extremamente refém dessa necessidade de parecer adulto via linguagem torpe.

O restante do cenário é raso e  ingênuo. João Ernesto se declara sempre para uma mulher, uma jornalista séria chamada Amanda, vivida por Rosana Mulholand, que traz uma voz tão mecânica que aqui mais ter sido dublada, e introduzida de maneira gratuita pelo roteiro. Além desse novo elemento romântico, há também uma sedução ao político recém solto, de um partido claramente corrupto, comandado por Ivan Piris (Cassio Pandolph), obviamente uma referência ao presidente à época, Michel Temer.

Um dos poucos momentos realmente engraçados é a participação de Piris, ainda que essa comédia seja baseada em argumento tão lugares comuns que mesmo quem se interessa zero por política sabe que Temer é comparado a Vampiro e a figura satânica, ou seja, o ponto mais positivo do longa é óbvio demais. Outro momento que fez alguns espectadores rirem é a imitação de Dilma Rousseff que Mila Ribeiro faz, e impressiona, mas até mesmo os discursos mais difusos da presidenta deposta soam lugar comum hoje em dia, piadas que em 2016 já estavam superadas demais. Mesmo a crítica aos políticos de extrema direita como Jair Bolsonaro é extremamente diluída e sua postura é até normalizada de certa forma, ainda que se leve em conta que Bolsonaro não está sozinho no congresso.

O roteiro de Cursino não ousa nada, aposta em clichês de falas dignas de comentaristas revoltados das redes sociais e analfabetos políticos. A revolta dessas pessoas é absolutamente comum e válida, o que claramente não é válido é a mensagem ao final de que a política não possui qualquer chance de redenção e que todos que estão ali estão somente para fazer dinheiro, esquemas, etc. Mesmo que isso represente a maior parte da classe política eleita, O Candidato Honesto 2 generaliza os problemas sociais agravados pela votação em relação as reformas sancionadas nos últimos dois anos como se não tivessem nenhuma influência na vida do povo, sobretudo dos mais pobres.

O filme que tenciona ser uma diversão para o público médio mas que afaga somente o pensamento das elites, dos patrões e de quem já tem uma vida mais ou menos garantida, e que erra não só no seu texto, mas também em um humor de difícil identificação e com atores que claramente não estão afiados ou em um desempenho minimamente bem, e isso inclui Hassum, que não passa do mediano mesmo em seus melhores momentos. Para ser algo relevante é preciso mais do que uma colcha de retalhos repleta de fatos políticos recentes.

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