[Crítica] Caravana da Coragem: Uma Aventura Ewok

Cavana da Coragem 1

Lançado um ano após o ultimo filme da franquia lucrativa de George Lucas, O Retorno de Jedi, John Corty, mesmo realizador de Unidos no Silêncio e outros tantos romances, se vale de suas experiência no departamento de animação de Vila Sésamo, para orquestrar o spin off localizado na lua de Endor, e protagonizado pelas doces criaturas que eram os ewoks.

Os elementos humanos em Caravana da Coragem – Uma Aventura Ewok é representado através dos irmãos Mace (Eric Walker) e Cindel (Aubree Miller), os filhos da família Towani, clã que se perdeu ao aterrissar no planetóide, cujo destino se bifurcou terrivelmente, com os pais sendo caçados por Gorax, um temível monstro gigante. O contraponto alienígena é exibido através de Deej (Daniel Freeshman), Shodu (Pam Grizz) e outros ewoks, que junto aos meninos, superam as desconfianças, apoiando-se mutuamente.

Caravana possui revelações “bombásticas”, começando por uma narração desnecessária de Burl Ives, o que já denota o caráter infantilóide do roteiro de Bob Carrau, baseado no argumento de (pasmem) George Lucas. Outro fator curioso, é a presença de animais do campo, semelhantes aos da Terra, como cavalos, galinhas e outros bichos da fazenda, habitando a Endor nos mesmos moldes  dos sítios terráqueos.

A nave em que os Towani chegaram lembra muito o aspecto das Y e X-Wings utilizadas pelos rebeldes, bem como a roupa de Mace faz lembrar os uniformes dos revoltosos, aspectos que seriam boas curiosidades, não fossem as criaduras que fazem os opositores serem tão toscas, feitas com uma qualidade inferior a do Rancor que vivia no subterrâneo do Palácio de Jabba, cuja movimentação em Stop Motion passa longe de ser tão bem orquestrada quanto os efeitos da Industrial Light and Magic.

Falta liga, motivação e urgência na trama mostrada neste primeiro Caravana da Coragem, filme que permeou as tardes da infãncia de muita gente nos anos noventa e oitenta, sendo este o principal argumento pró filme, vazio de significado além da nostalgia infundada. Nem humanos e nem alienígenas causam empatia no público, ao contrário do visto nos três filme anteriores. Mesmo o opositor pouco assusta, assemelhando Gorax a uma versão do Predador com cabelos lisos ao invés de rastafari.

A história que se passa entre Império Contra Ataca e o episódio 6, contém uma figura ilustre: Wicket, o ewok que ajudou Leia quando esta caiu em Endor, vivido também por Warwick Davis, o mesmo que protagonizaria Willow, na Terra da Magia. Curiosamente, alguns elementos fantasiosos são mostrados nesta fita, como um misterioso lago que consome e prende as criaturas que nele caem, assim como criaturas cintilantes, semelhantes as fadas de Peter Pan. Guerra nas Estrelas possuía toda uma aura de fábula, travestida de space opera, mas o tom funcionava, ao contrário desta desventura.

O telefilme ganhou prêmios por seus efeitos especiais, apesar de seu nível fraco em comparação com os outros produtos da Lucasfilms, gerando inclusive sequências e motivando um desenho animado em série com os ditos ursinhos, mas seu resultado final é uma aventura que tenta usar o mesmo escapismo que funcionou anteriormente, mas sob uma ótica imatura, que não consegue se igualar em qualidade nem as fitas mais pobres de sua época.