[Crítica] A Casa dos 1000 Corpos

House Of 1000 Corpses - poster

A descrença agiu a favor de Rob Zombie. Quando o roqueiro anunciou uma dupla jornada profissional, agora como diretor de cinema, havia dúvidas quanto a um bom resultado. Imaginou-se que a direção seria um hobby passageiro e sem compromisso. Então, A Casa dos 1000 Corpos foi lançado.

Escrita e dirigida por Zombie, a produção é, simultaneamente, uma homenagem explícita aos filmes antigos de terror e uma paródia que ri dos clichês mais absurdos do gênero. Com uma narrativa exagerada, destacada por personagens estranhos e histriônicos, a trama compõe uma espécie de retalhos que atravessa diversos estilos do terror.

A premissa básica é aquela conhecida pelo público fiel do gênero: jovens adolescentes partem para uma viagem, e em algum momento da estrada o carro apresenta problemas, fazendo-os obrigados a pararem no local mais próximo para abastecer e reparar os problemas. Movidos pela curiosidade, interessam-se por uma lenda da região, um assassino em série chamado Sr. Satã e, enquanto aguardam uma peça do veículo chegar de outra cidade, permanecem na casa de uma família bizarra, a qual o público reconhece de antemão, formada por insanos, sádicos e outros tipos de desvio de personalidade característicos do cinema.

Dentro deste cenário fundamental e excêntrico, a história transborda fundamentos do terror: adolescentes presos em casa à mercê de uma família de sádicos; rituais de bruxaria e sacrifício; possíveis canibais insaciáveis. Um exagero cênico que causa incômodo e demonstra como o terror possui regras próprias que, quando mostradas ao extremo, soam risíveis mas que, ainda assim, são diversão pura para o público.

Intercalando cenas tradicionalmente filmadas com outras com excesso de distorções e efeitos especiais, a trama parece configurar duas visões da mesma história: uma aparentemente séria e um contra-filme que ri dos exageros cênicos comuns ao terror, formando, camada após camada de personagens assustadores, uma provável interpretação do título. 1000 corpos com 1000 maneiras diferentes de matar, de uma família que seria capaz de unir toda a bizarrice do terror em um só local. Neste cenário, há tanto cenas de morte bem dirigidas e impactantes quanto outras da vertente do terrir (o riso propositado, ou não, em meio aos sustos), com cenas em câmera lenta ao som de canções lentas, além de outros absurdos que demonstram a intenção da paródia.

Zombie compõe um roteiro eficiente exercendo uma função tripla: homenagear o cinema das décadas passadas, rir de certos clichês do gênero, e ainda desenvolver uma boa história de Terror, com uma família de sádicos tão notável que inspirou uma sequência, Rejeitados pelo Diabo. Para um homem que se destacou pelo rock pesado, nascia um diretor com boa percepção técnica e uma interpretação suficientemente autoral para iniciar uma carreira no cinema e se destacar no gênero, com eficiência suficiente para impactar a indústria e ser convidado para realizar a boa releitura de Michael Myers em Halloween: O Início.

A Casa dos 1000 Corpos é um épico do terror em sua mais alta potência. Sanguinolento, desenfreado e, consequentemente, também engraçado. A forma e contra-forma do estilo em um mesmo produto.