[Crítica] Cavaleiro de Copas

Terrence Malick teve uma retomada recente e curiosa em sua carreira. Em pouco tempo, após Árvore da Vida, ele mais que dobrou sua filmografia, que começou em 1973, com Terra de Ninguém, e tem nesse Cavaleiro de Copas, seu sétimo filme de longa metragem. Essa nova fase mais prolífica do cineasta resulta em alguns fatos incomuns, como a utilização de um hermetismo para contar suas histórias, se valendo de uma narrativa bastante similar àquela utilizada em Amor Pleno, usando de cortes e filmagens não normativas para expressar os sentimentos das pessoas enquadradas em tela.

A jornada de Rick começa com uma sucessão de eventos aleatórios, que o próprio não consegue entender. O personagem de Christian Bale é um escritor que tem de lidar com uma confusão mental e emocional, representada em tela pelos ângulos obtusos de Malick e por sua contemplação que permeiam a maioria esmagadora das cenas.

O roteiro se debruça sobre as relações que o personagem tem, desde as frustrações amorosas que sofre e impele, até as relações com os parentes mais próximos. A sensação ao se deparar com a história, dividida em capítulos, é de se reprisar toda a estrutura narrativa de Árvore da Vida e Amor Pleno, gerando inclusive um certo enfado no espectador, além da sensação de estar sendo ludibriado em alguns momentos por sofrer a interferência de uma fórmula que se utiliza dos mesmos clichês e arquétipos para contar histórias diferentes, mas que tem no modo de se chegar até elas o mesmo norte e coincidências artísticas de outros trabalhos do diretor. A marca de Malick aos poucos vai demonstrando um desgaste.

A música de Hanan Townshend faz lembrar ainda mais dos métodos que Malick utiliza em seus filmes, ainda que de todas as participações repetidas, essa seja a que mais apresenta traços de ineditismo. Natalie Portman Cate Blanchett ajudam a estabelecer a atmosfera obscura presente no inconsciente do protagonista, demonstrando na prática o quão passageira é sua existência e os relacionamentos que acumula durante sua vida. Já o restante do elenco faz aparições pontuais que mal se nota parte dessas presenças, mesmo com a presença de Wes Bentley, que costuma entregar atuações superficiais e rasas. Cavaleiro de Copas acaba sendo um manifesto sobre o vazio existencial, acertando em alguns pontos mas prevalecendo a triste sensação de repetição de ciclo.

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